Barretos fará ato em desagravo à médica vítima de injúria racial


 O ato está marcado para às 9h deste sábado (25/07), na Casa do Advogado de Barretos, como parte das comemorações do Dia Internacional de Luta da Mulher Negra, Latina e Caribenha. A Casa do Advogado fica na Rua Dezoito, 2733, no Bairro Ibirapuera.

Da Redação da Afropress

A médica anestesista Carolina Bernardes

A médica anestesista Carolina Bernardes

Barretos/SP – O fato de a médica anestesista Carolina Bernardes ter sido transformada, de vítima em ré, pela direção da Santa Casa de Misericórdia de Barretos, em retaliação por ter denunciado o obstetra Fernando de Carvalho Jorge (foto abaixo) por crime de injúria racial, está mobilizando grupos do movimento negro e antirracista de Barretos e lideranças dos movimentos sociais para o Ato de Desagravo e Solidariedade à médica.

O ato está marcado para às 9h deste sábado (25/07), na Casa do Advogado de Barretos, como parte das comemorações do Dia Internacional de Luta da Mulher Negra, Latina e Caribenha. A Casa do Advogado fica na Rua Dezoito, 2733, no Bairro Ibirapuera. Além de lideranças locais e da região, a organização do também convidou a professora Elisa Lucas Rodrigues, chefe da Coordenação de Políticas para as Populações Negra e Indígena da Secretaria da Justiça do Estado de S. Paulo.

Segundo a anestesista, o colega, bastante nervoso e exaltado, a chamou depreciativamente de “negrinha”, por ela ter se negado a atender, de imediato, a um chamado para deixar o paciente que atendia para anestesiar uma cliente do obstreta que entrara em trabalho de parto.

Sob pressão, e emocionalmente abalada após o xingamento, depois de consultar, por telefone, o diretor clínico do Hospital, ela acabou por realizar os dois procedimentos. Resolução do Conselho Federal de Medicina proíbe a realização de anestesias simultâneas e considera a prática atentatória à ética médica.

É exatamente essa acusação que agora está sendo feita contra a anestesista. Comissão de Sindicância criada pelo interventor Eduardo Petrov supostamente para apurar o caso, tomou o partido do agressor e está aconselhando a abertura de processo administrativo contra a anestesista.

Crime perfeito

Fernando Carvalho

Fernando Carvalho

Sobre o crime de injúria racial previsto no parágrafo 3º do art. 140 do Código Penal, não fez qualquer referência, recomendando apenas o envio do relatório final ao Conselho Regional de Medicina e ao Ministério Público. O resultado da Sindicância comprovou o que, desde o início, já se suspeitava: a comissão foi criada pelo interventor como uma “cortina de fumaça” para desviar a atenção fazer com que a anestesista passasse de vítima à ré.

Segundo se sabe na cidade, Fernando Jorge é membro de família de grande influência em Barretos e é amigo pessoal e de infância de Petrov (foto abaixo). Saiba mais

Indignação

A decisão da Comissão e o anúncio pelo interventor de que abrirá processo administrativo, causou perplexidade e indignação nas pessoas que estão acompanhando o caso. A denúncia da médica teve repercussão nacional sendo veiculada pelos principais veículos do país, entre os quais os jornais “O Globo” e “O Estado de S. Paulo”.

Segundo advogados ouvidos por Afropress o processo é uma sentença de condenação da médica, que poderá ser afastada e devolvida à Cooperativa de Anestesistas de Ribeirão Preto/SP (COOPANEST/RP), a quem presta serviços, além dos prejuízos a sua imagem pessoal e profissional.

Eduardo Petrov- Santa Casa

Eduardo Petrov- Santa Casa

Revoltados, lideranças do movimento negro e antirracista de Barretos e membros de movimentos sociais da cidade, decidiram por transformar a celebração em homenagem a Data dedicada à Mulher Negra, Latina e Caribenha, em Ato de Desagravo e Solidariedade.

A professora Elisa Lucas Rodrigues, chefe da Coordenação de Políticas para as Populações Negra e Indígena da Secretaria de Justiça de S. Paulo, que é de Barretos, foi convidada e deverá comparecer.

Também estarão presentes os advogado Gilberto Theodoro, constituído pela médica para defendê-la, representantes da Cooperativa, e o advogado e jornalista Dojival Vieira, editor de Afropress.

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Um pensamento sobre “Barretos fará ato em desagravo à médica vítima de injúria racial

  1. Bem, não se deve perder de vista que o rapaz é do tipo: 4º filho do Senhor de Engenho. Era assim: o 1º herdava a fazenda, a escravaria, o patrimônio, enfim; o 2º ordenhava, digo, ordenava padre; o 3º ia estudar direito (sic); o quarto estudava (SIC – SIC) medicina. A mentalidade médica brasileira foi afundada nessa tradição. Os ataques de histeria de filhinhos e filhinhas dos escravocratas acontecem porque eles não podem suportar seu objeto de superioridade com a mesma qualidade do sujeito. Veja o caso dos médicos cubanos. Deu, e ainda dá, nos nervos esculápios, aceitar a igualdade de investidura, que quebra a normalidade e gera insegurança, incerteza, ansiedade, medo. Valeu Zumbi!

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