O racismo cordial nos apelidos: O nome da jornalista do “Tempo” é MARIA JULIA COUTINHO


foto gripada de vídeo no youtube

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por marcos romão

Quando um apelido deprecia a sua qualificação profissional:

Sei, que é carinhoso, mas a marca do apelido fica no currículo.

Hoje e dia, até jogador de futebol não aceita mais ser chamado de “Cafuné e, pensando na carreira, adota logo um nome duplo e fidalgal- Rodolfo Valentyno, Cristiano de Almeyras e por aí afora. As grandes marcas gostam. Se tiver um “y” no meio ajuda na promoção.

Quando usam apelido, os jogadores da seleção escolhem um codinome, que ressalte suas qualidades, como o fez o exemplar ” Dadá Maravilha”, que só com o alcunha deixava os goleiros embasbacados e a bola entrava.

” Apelido cola para a vida” diziam minha mãe Aurore Florentine e minha avó Georgina Aurore, ” apelido é coisa prá dentro de casa e prá amigos íntimos”, sempre repetiam mãe Flór e vó “Jogina”, sem “gue” e nem “erre”, na minha compreensão de menino.

Por isso nunca aceitei nem na escola, nem no trabalho, que professores e “chefias” me chamassem de apelidos.
Professor ou “chefia” que nos chama por um apelido, nos bota na gaveta que eles nos querem por toda uma vida.

É “condenação perpétua” a ficar no lugar que eles nos reservam.

Isto para discriminado/as no país da dissimulação racista, mantém suas carreiras e ascenções profissionais no limbo, dos sempre elogiados mas nunca promovidos ou aceitos integralmente nos ambientes de trabalho.

É uma cadeia espiritual e cultural racista, que nem babalorixá, padre, pastor, ou psicanalista resolvem.

O silêncio agradecido a que se obriga a vítima do racismo amoroso e cordial, curva o cangote do “abraçado/a” para toda uma vida.

Vejo isto todo dia nos escritórios empresariais, departamentos universitários, departamentos de limpeza urbana, palcos artísticos e, por tudo quanto é canto. Negros e negras trabalhando 30 anos e consolados nos seu cafres, ao verem a troca de seus chefes, sempre de outra cor, que já chegam sabendo o apelido do diligente e simpático negros ou negras que entendem de tudo na “seção”, mas nunca saem do lugar que os apelidos e o racismo lhes reservou.

É o racismo cordial que se manifesta de forma tão penetrante, que apelidadores e apelidados ficam condenados, como água e azeite, a viverem “misturados” se se tocarem nas almas por toda uma vida.

A confiança desconfiada é a marca cruel desta relação, que perpassa a vida de todos os brasileiros e brasileiras das camas ao trabalhos, que vivem em um país em que o racismo não é falado nem enfrentado.

Assim como a psicóloga Rosane Aurore do Sos Racismo Brasil reitera, o nome da jornalista é MARIA JULIA COUTINHO.

Imaginem o “William Bonner “entrevistando o finado “Roberto Pisani Marinho”:
No ar e cheio de intimidades, ao passar as mão nas bochechas do fidalgo Roberto, lhe pergunta:

” E aí “Marinheiro”, cumé que tá o TEMPO?”.

O apelidador teria sua carreira cortada antes mesmo de dizer uma segunda frase em cadeia nacional.

Saiba mais sobre a origem do apelido ” Maju” : ” Chico Pinheiro levou uma bronca por me apelidar, diz “Maju” Coutinho.

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5 pensamentos sobre “O racismo cordial nos apelidos: O nome da jornalista do “Tempo” é MARIA JULIA COUTINHO

    • Admiração e inveja, caminham juntas. As fronteiras entre a admiração e a inveja a alguém são tênues. Admira-se uma pessoa de sucesso, sempre com um pindo de inveja, e com a pergunta, como alguém igual a mim conseguiu o que não consigo, e para por aí. Como então, admirar, alguém que não seja considerado uma pessoa do ” nosso nível”, aí a inveja se transforma numa poderosa arma do racismo, caro Telmo Miguel. Esta inveja, bem manipulada e potencializada pode e foi utilizada aos extremos pelos nazistas no século passado. Os brancos vizinhos na Alemanha, tinham os ricos e pobres, como era “iguais” trataram de inventar o mal judeu. Pronto a inveja do vizinho transformou em máquina de morte do racismo. A inveja não é inteligente, opera no campo das emoções, o racismo não, o racismo é uma máquina inteligente racional, operada de fora por um poder econômico e político que na defesa de seus interesses passa a operar com os sentimentos mais canhestros do ser humano, o ódio, o medo, a raiva e inclusive a inveja.
      Conclusão: A inveja faz parte de todo o ato racista, mas não o explica.

  1. Bem situada a argumentação. A onomástica é comandada pelos que detêm o poder. Sua argumentação cabe como uma luva nos casos que conheço, inclusive o meu. A primeira marca que me colocaram na escola ginasial foi Pelé. Imagina isso numa escola da burguesia juizforana (Academia de Comércio). Na minha sala tinha apenas 2 negros. Não entendia, apenas sentia mal estar.

    • Na minha escola primária de elite, éramos uns 5 negros entre 1500 alunos. Na época os apelidos aos negros era Pelé e Garricha. Assim tínhamos 2 Pelés e dois Garrinchas e eu. Minha avó me ensinara a nunca aceitar apelido fora de casa. Assim tive que brigar muito até que aceitassem esta minha “diferença”.

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