Justiceiros usavam WhatsApp: grupo de jovens marcava dias e horários para atacar pessoas que pulavam roletas de ônibus na Serra–Espírito Santo


Charlivan, 17 anos, foi morto com um tiro após pular roleta Foto: Reprodução

A Gazeta

WhatsApp. Essa era a ferramenta usada por jovens, que se consideravam justiceiros, para se organizarem em ações de intimidação contra pessoas que pulam roleta de ônibus coletivos na Serra.

Uma dessas ações criminosas terminou com a morte de Charlivan Neris Silva, 17 anos, que foi alvo de um tiro, depois de ele e do grupo de amigos serem agredidos dentro do ônibus por não pagarem as passagens. Dois integrantes do bando de “justiceiros” do Transcol – um deles soldado do Exército – foram presos pela Polícia Civil.

O crime aconteceu em 16 de maio. Charlivan e mais três amigos pularam a roleta do coletivo da linha 832, por volta das 23 horas. Os amigos seguiam para um baile funk, em Vitória.

Segundo o delegado à frente do caso, Paulo Ricardo Cassaro, adjunto da Delegacia de Crimes Contra a Vida (DCCV) de Serra, os justiceiros agiam repreendendo, por conta própria, as pessoas que pulavam as roletas havia quatro meses.

“O grupo se reunia às sextas-feiras ou sábados, por volta das 23h e meia-noite, para agir e pelo menos duas linhas eram alvos. Os encontros eram marcados em um grupo de aplicativo de celular”, descreveu o delegado.

Para Cassaro, os “justiceiros” começaram a repreendendo os passageiros. “Pelo que apuramos, houve uma progressão das atitudes. Inicialmente, o grupo apenas repreendida, verbalmente, quem pulava a roleta. Mas isso passou a não ser suficiente. Então, passaram a agredir e, depois, a usarem armas de brinquedo. Até chegar a uma arma verdadeira”, detalhou o delegado.

Os criminosos agiam nas linhas 832 (Vila Nova de Colares x Terminal de Laranjeiras) e 567 (Terminal de Carapina x Terminal de São Torquato). “Identificamos essas linhas, mas não descartamos que tenham feito vítimas em outras”, pondera Cassaro.

Quem são os justiceiros

Lucas Marcos Lima dos Santos, 19

Soldado do Exército. É apontado pela polícia como chefe dos justiceiros. Foi preso uma semana depois do crime, no batalhão.

Igor França dos Santos, 20

Morador da Serra, foi detido em Barra de São Francisco. Ele teria atirado em Charlivan.

Menor, 16

Estudante. Foi intimado e prestou depoimento. Foi solto por falta de mandado de apreensão.

Não Identificado.

A polícia acredita que ele seja um adolescente.

Criminosos foram até ponto final

No dia da morte de Charlivan, os justiceiros identificados como Igor França dos Santos, 20 anos, o soldado Lucas Marcos Lima Candido dos Santos, 19, e mais dois adolescentes teriam embarcado no Terminal de Carapina, no ônibus que seguia para Vila Nova de Colares e foram até o ponto final. Lá, os quatro indivíduos seguiram até o ponto final e retornaram.

Foto: Marcos FernandezDois cassetetes, usados pelos justiceiros nas ações em ônibus, foram apreendidos pelos policiais da DCCV da Serra

Armados com cassetetes, armas de choque, armas de brinquedo e pelo menos uma arma verdadeira, o bando iniciou a agressão. “As vítimas foram agredidas depois que o grupo mandou o motorista apagar as luzes. Quando o motorista parou em um ponto, o grupo foi colocado no degrau da porta de saída, para serem postas para fora”, disse o delegado.

Um dos amigos de Charlivan tentou fugir. Foi quando houve o primeiro disparo e uma das vítimas foi atingida de raspão na cabeça. Na confusão, os três garotos correram, mas a moça que os acompanhava foi agarrada. “Ao tentar soltar a amiga, Charlivan deu um soco no rosto de Igor, que atirou”, contou o delegado.

Polícia procura mais suspeitos

Os quatro envolvidos na morte de Charlivan foram identificados e dois deles presos. Na semana seguinte ao crime, na sexta-feira, a DCCV de Serra prendeu, dentro do quartel do 38º Batalhão do Exército, em Vila Velha, o soldado Lucas Marcos Lima Cândido dos Santos, 19 anos. No dia 25 de maio, Igor França dos Santos, 20, foi detido em Barra de São Francisco, no Noroeste do Estado, para onde teria fugido após saber da prisão do colega Lucas.

“Os dois prestaram depoimento e confessam que agiam contra pessoas que pulavam a roleta. Um adolescente de 16 anos envolvido também prestou depoimento e confirma a ação violenta. Porém, todos negam que estivessem no dia da morte do Charlivan”, contou o delegado Paulo Ricardo.

A Justiça não expediu mandado de apreensão contra o adolescente de 16 anos. Já o quarto envolvido ainda não foi identificado pela polícia. Os dois presos foram reconhecidos pelas vítimas que sobreviveram ao ataque no dia da morte de Charlivan.

No entanto, a polícia ainda investiga a possibilidade de haver pelo menos mais três integrantes do grupo de justiceiros. “Nem sempre eram os mesmos que agiam dentro dos coletivos. Por isso, vamos tentar identificar outros envolvidos”, descreve Cassaro.
O delegado disse que em depoimento e levantamentos da vida pessoal dos três jovens que participaram da ação, os suspeitos almejam a carreira militar. “Os perfis são muito parecidos. Usavam uniformes e davam ordens durante as ações, possuem postura, sempre liderados pelo Lucas. Na cabeça deles, estavam fazendo o correto”, descreve.

Investigação para saber quem está por trás de crime

O soldado, Igor e o adolescente que prestaram depoimento negam terem participado da morte de Charlivan. Porém, os três descrevem com detalhes outras agressões contra quem pula roleta e dizem que agiam por conta própria.

No entanto, a Polícia Civil continuará as investigações para averiguar quem estaria colaborando com os “justiceiros” do Transcol. “Não localizamos a arma de onde partiu o tiro que matou Charlivan. As armas de choque e de air soft são caras, mesmo sendo vendidas na internet”, contou o delegado Paulo Ricardo Cassaro.

Ele afirma que não acredita que os “justiceiros” estivessem sendo pagos para agir e realizar as ações contra os puladores de roleta da Grande Vitória.

Entenda o crime

O crime aconteceu na noite de 16 de maio (sábado), em Vila Nova de Colares, na Serra, após seis amigos terem pulado a roleta do ônibus da linha 832 (Vila Nova de Colares x Terminal de Laranjeiras)

Charlivan Neris Silva, 17 anos, foi morto com um tiro no peito por cinco homens, vestidos com calça, tênis e blusas de frio com capuz, e por dentro, camisas pretas com a logo do Exército. Eles estavam com porretes, armas de choque e de fogo. Três amigos de Charlivan ficaram feridos, mas escaparam.

Na ocasião, os “justiceiros” pediram ao motorista do veículo para que apagasse a luz do veículo. Em seguida, enquanto parte do grupo dava socos, chutes e puxões de cabelo, outros davam choques nos amigos.

Depois te espancarem os quatro amigos, eles pediram para que o motorista abrisse a porta do coletivo para os puladores de roleta descerem. Porém, quando saíam do carro, uma estudante de 15 anos foi segura pelo cabelo por um dos justiceiros que apontou uma arma para ela. Charlivan voltou para ajudá-la, mas levou um tiro por tentar defendê-la.

Fonte: A Gazeta

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