Chegamos no século XX. Sem cotas ainda estaríamos no século XIX. Queremos chegar no século XXI.


Chegamos no século XX. Sem cotas ainda estaríamos no século XIX.
Queremos chegar no século XXI.

por Marcos Romão em homenagem in memoriam à ativista negra Beatriz Nascimento

Coletivo Das Pretas-Beatriz Nascimento-UFF Foto: Luz Luciana

Coletivo Das Pretas-Beatriz Nascimento-UFF
Foto: Luz Luciana

A entrada em grande número de jovens negros e negras nas universidades, tem provocado um grande mal estar em defensores de pensamentos racistas e anacrônicos dos séculos anteriores.
Pele preta nas universidades acabou virando sinônimo de “cotistas”, que os racistas encaram como “órfãos” que receberam um “favor” da sociedade acadêmica branca.

Desprezo, bullyng, terror psicológico e menosprezo com as suas capacidades por parte de professores e alunos, são o relatos que nos contam negros e negras sobre as suas experiências desde o vestibular de 2002, quando as cotas foram estabelecidas pela primeira vez na UERJ.

“Em 1997, apenas 2,2% de pardos e 1,8% de negros, entre 18 e 24 anos cursavam ou tinham concluído um curso de graduação no Brasil. ”
Em 2013 quando muitas universidade já haviam aderido ao sistema de cotas, O número de pardos saltou para 11% e o de pretos para 8,8 %.

Mesmo que se considere estes números ainda tímidos, 13 anos depois a quantidade visível de negros nas salas das faculdades, ao contrário do que seria de esperar por uma melhora aceitação de negros, o que acontece é que aumentou o confronto nas relações raciais dentro das universidades.

Já não se trata mais de “entrar” na universidade, mas o que o estudante negro, vai receber de “conteúdo” nas salas de aula.

Velhas histórias coloniais e racistas, ou de visão européia contadas em ambientes majoritariamente brancos dos bancos universitários de maneira displicente ou até como piadas, já causam “incômodos” tanto aos professores como aos estudantes.

Até nos diretórios acadêmicos o mal estar é geral, quando se deparam com uma “massa de pretos e pretas” e, veem que suas idéias “revolucionárias”, além de serem para “inglês ver”, não compreendem a língua que estes “pretos” falam nem sobre o Brasil que eles “olham”, acostumados que estavam a verem grupos de pretos nas faculdades somente na área de serviço.

Acho todo confronto de idéias lindo. Ver que isto finalmente está acontecendo em todas as universidades do Brasil e,  até no bastião da “casta branca” da USP, me dá mais satisfação ainda. Uma hora todos vão compreender que “cotas” não são “favores, mas sim conquistas e avanços de toda uma sociedade.

Vai rolar muitas incompreensões, muitos desentendimentos e arrogâncias de parte à parte, pois a ignorância sobre este assunto–RELACIONAMENTO ENTRE BRANCOS E PRETOS NAS UNIVERSIDADES— é seara nova para toda a sociedade acadêmica brasileira.

Os relacionamento pontuais e pessoais anteriores entre pretos e brancos que sempre aconteceram, como no exemplo do presidente com um pé na cozinha, ou do relacionamento “desigual” entre Costa Pinto e Guerreiro Ramos, com a balança pendendo favoravelmente para o primeiro, não contam, ou só contam como balizadores das discussões sobre relações raciais nas universidades brasileiras do século XXI.

Afinal de contas, estava mais que na hora de balançar a cor do olhar de nossas universidades. Precisamos mais do que nunca formar profissionais que aprendam a conviver, lidar e compreender o que querem todos os que vivem no Brasil.
Esta reflexão foi inspirada no excelente artigo sobre as cotas, escrito por Igor Carvalho na Revista Fórum, quando o sistema de cotas completava 10 anos.

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