Manifesto I Seminário negros e negras da USP


seminario negro usp

Manifesto

A hora do Revide

O ascenso que o movimento negro vive hoje é principalmente uma resposta da periferia a esses ataques, pois sabemos que só nossa luta unificada vai garantir nossa dignidade. Na Universidade de São Paulo hoje há um clima diferente, o movimento negro está na ofensiva, lutando pelas cotas raciais e pela permanência. Sabemos que o governo estadual e a burocracia da USP continuam resistindo á adoção do sistema de cotas raciais para ingresso nos cursos de graduação, demonstrando a tradição elitista e racista que domina a universidade. A reserva de vagas para negros e pobres para o ingresso em universidades públicas foi uma vitória duramente conquistada pelo movimento negro brasileiro, fruto de uma luta que vêm de décadas. É uma medida de reparação histórica, que reconhece a necessidade do estado brasileiro, após séculos de exploração do trabalho de um povo, promover um mínimo de políticas de igualdade e justiça. A USP, porém, é uma das únicas universidades públicas do país que se recusa a adotar cotas raciais. Apegando-se ao mito da democracia racial e a uma ideia enganosa de meritocracia, fecha as portas das salas de aula para os negros, que, em sua maioria, entram na USP apenas para trabalhar como terceirizados.

Num momento de tantos ataques a negros e negras, mas também de grande ampliação da luta, é fundamental que a luta antirracista dentro e fora da USP se articule. Essa universidade foi erguida e é construída diariamente com o nosso suor, mas o povo negro é excluído de seus espaços de conhecimento e poder. Um Seminário de Negros e Negras surge como um espaço para nos organizarmos, para pensarmos coletivamente a luta dentro e fora da USP, para articularmos nossa luta pelos nossos direitos e contra os cortes na educação, contra a redução da maioridade penal e pelas cotas na USP. Também é fundamentalmente um espaço para tirarmos lutas em parceria com todos os setores oprimidos, como as mulheres e os LGBT’S. Acreditamos que a as mais diversas pautas estão relacionadas com a luta dos negros e negras, então é essencial que esse espaço seja construído em parceria com o movimento estudantil, com os DCE’S, C.A.’s, com os trabalhadores do SINTUSP e os docentes da ADUSP, com os cursinhos populares, com movimentos culturais e periféricos, com os movimentos de luta por moradia, com trabalhadores em luta como os professores de universidades e escolas, os metroviários e os profissionais da saúde.

O povo negro vai resistir cada vez mais! Não aceitaremos que nos calem, queremos viver em liberdade e dignidade! O Seminário será um instrumento para nos fortalecermos, só nossa luta unificada garantirá nossas vitórias.

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