O que posso falar para a nossa juventude negra? PM será investigado por atirar no rosto de jovem, que engoliu projétil


Já são mais de 40 anos que atuo na educação de jovens. Falo para eles de cidadania, de liberdade, de igualdade, de empoderamento, autoestima e respeito ao próximo

Falo da consciência de ser negro, de ser solidário com a humanidade de todos, de evitarem a violência e serem cidadãos de 1a classe.

São mais de 40 anos que remo junto com muita gente contra a grande maré do racismo e da violência racial do Brasil.

Vi jovens que anos atrás estavam na beira da morte e do crime, que hoje são grandes ativistas pelos direitos humanos de todos. Vi também jovens, que por falta de um afago, um segundo de atenção do Estado Brasileiro, hoje estão nas valas comuns das vítimas de violência policial e do esquadrão da morte.
Me especializei ao longos dos anos, no desenvolvimentos de métodos antiviolência para jovens e,  em métodos de como sobreviver nas abordagens racistas feitas por policiais, quando para os jovens negros no Brasil, todo cuidado é mais que pouco.

Pensei nos meus mais de sessenta anos já ter visto de tudo.

Mas a canalhice da desumanidade provocada pelo racismo na sociedade brasileira, sempre consegue me surpreender.

Nunca tive uma arma e também nunca usei uma arma de morte.

Me especializei em falar para os jovens para se defenderem com atitude cidadã e dentro das leis.
Mas nossos jovens negros estão com medo, muito medo mesmo. Muitos deles estão transformando este medo que têm dos policiais racistas em raiva, o próximo passo será o sentimento de ódio.

Não sei, simplesmente não sei o que dizer para os jovens negros do Brasil, quando leio esta notícia, em que um jovem negro trabalhador de 22 anos, ao ser revistado ao lado de sua esposa próximo de sua casa, leva um tiro na boca dado pelo policial que o imprensava contra a parede e não lhe prestou socorro quando ferido. Foi salvo por um passante de carro que o levou para o hospital.

Digam-me autoridades do Rio de Janeiro e do Brasil, o que eu é que eu digo para a nossa juventude? Marcos Romão

Rio – Um homem foi baleado no rosto durante a abordagem de um policial militar do 40º BPM (Campo Grande) na noite de sexta-feira, no bairro Vila São João, em Campo Grande.

Francisco Edson Alves- O Dia

O armador de ferragens Marcos Fernando de Jesus Ferreira Júnior, de 22 anos, contou que voltava a pé com a mulher, Karine, 19 anos, pela Avenida Dom Sebastião, quando foi parado por um casal de policiais militares em serviço. De acordo com a vítima, o PM, que não teve o nome revelado, pediu os documentos.

“Eu disse a ele que estava sem documentos, inclusive sem camisa, mas apontei para a rua ao lado, dizendo que eu morava ali perto e que poderia ir buscar. Nervoso, ele não quis saber dos meus argumentos e mandou que eu encostasse no muro. Escutei, então, um clique (de arma engatilhada). Virei o rosto para ele e o vi com um revólver prateado. Aí eu perguntei: ‘Você vai atirar?’. De repente, ele disparou contra o meu rosto”, detalhou.

A bala que atingiu Marcos foi parar no seu estômago. Novos exames dirão se ele precisará de cirurgia

Foto:  Severino Silva / Agência O Dia

A bala entrou na bochecha esquerda, atingindo a língua e o céu da boca de Marcos, que engoliu o projétil. Exames feitos no Hospital Municipal Lourenço Jorge, na Barra da Tijuca, constataram que a bala foi parar no estômago e somente novas radiografias vão definir se ele terá de passar ou não por cirurgia para retirá-la.

‘Era pra eu estar morto’

A vítima conta que, após o disparo, a policial repreendeu o colega: “Caramba, o que você fez?”, teria dito. O soldado teria respondido que “tinha sido (um tiro) acidental”. “Eu estava lúcido, mas abalado, pois sangrava muito e eu não sabia a extensão do ferimento. Implorei que ele (o PM) me socorresse. Não me atendeu e ainda me empurrou no chão. Minha esposa também levou um empurrão e teve a roupa rasgada.

Um carro parou e me levou para o Hospital Estadual Rocha Faria, de onde fui transferido para o Lourenço Jorge”, lamentou Marcos, que acredita que está vivo por milagre. “Agora (12h30) era para eu estar morto, e meu corpo, sendo velado”, comentou, emocionado, ao lado da filha, que faz 1 ano hoje.

O PM não acompanhou a vítima até o hospital e se dirigiu à 35ª DP, onde teve o revólver, que não era da corporação, apreendido. A Polícia Civil não revelou o conteúdo do depoimento do soldado. Já a assessoria da PM informou que o policial prestou depoimento na 2ª Delegacia de Polícia Judiciária Militar (DPJM) e que averiguação foi instaurada para apurar o caso. A PM não informou se ele foi afastado das ruas. A 35ª DP requisitou imagens de câmeras da região para ajudar nas investigações.

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