Assassinos neonazistas de negro idoso em rua de Rio Claro, vão a Júri Popular


Rio Claro/SP – Hélcio Alves Carvalho e Axel Leonardo Ramos (foto abaixo ao serem presos), os dois acusados pela morte do guardador de carros Benedito Santana de Oliveira, de Rio Claro, interior de S. Paulo, irão à juri popular nesta terça-feira (28/04) por homicídio triplamente qualificado e podem pegar de 12 a 30 anos de prisão. O julgamento começa a partir das 9h30 no Fórum da cidade e deve se estender até pelo menos quarta-feira, quando será anunciada a sentença.

O caso aconteceu há dois anos, na madrugada de 06 de abril de 2013, quando os assassinos – que, segundo a suspeita da Polícia pertenceriam a uma célula neonazista da cidade de Ponta Grossa, no Paraná – atacaram e o idoso. “Seo” Benedito fazia bicos como guardador de carros para ajudar no orçamento de casa. Depois de permenecer por algum tempo internado na Santa Casa de Rio Claro, ele, à época com 71 anos, acabou morrendo por causa dos socos, chutes e ponta-pés, boa parte dos quais na cabeça.

Silvio Santana, um dos filhos, disse àAfropress por telefone, que a família estará presente ao julgamento. Desde o crime, os acusados estão presos na Penitenciária de Itirapina, cidade próxima a Rio Claro.

Manifestação

O Conselho Municipal da Comunidade Negra da cidade está convocando a população para uma concentração a partir das 9h, na praça da Liberdade, em frente ao Fórum, para acompanhar o julgamento. “Basta de racismo! Que seja feita Justiça”, diz o texto da convocação.

Segundo Kizie de Paula Aguiar, gestora de políticas públicas da Prefeitura, é esperada uma grande quantidade de pessoas na manifestação porque o crime – pela crueldade e pela covardia dos assassinos – provocou a revolta da população.

O idoso era casado com Maria Aparecida Zequeu, de 74 anos e deixou 5 filhos – dois homens e três mulheres. Segundo Silvio, a família espera Justiça. “Queremos Justiça e esperamos que os assassinos do meu pai recebam pena máxima”, afirmou.

Segundo Francisco Quintino, presidente do Instituto pela Igualdade Racial (Inspir), que no ano passado, que participou de manifestações de protesto contra as agressões ao aposentado, o julgamento é um marco.

“Considero um marco no combate à discriminação racial, considerando que é em consequência da mobilização e engajamento das diversas forças e entidades do movimento negro e negros e negras que saíram às ruas exigindo Justiça. E a sociedade, por sua vez, segue com enormes dificuldades de superação das desigualdades relegando aos afrodescendentes o papel de coadjuvante, sem vontade política de reconhecer os erros e corrigir as injustiças históricas”, afirmou.

Para a professora Elisa Lucas Rodrigues, da Coordenação de Políticas para as Populações Negra e Indígena da Secretaria da Justiça, o caso do idoso é emblemático de que a sociedade não pode permitir a impunidade. “Estamos muito esperançosos em que a Justiça seja feita exemplarmente”, afirmou.

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s