Nem sempre branco brasileiro leva vantagem em tudo. A tragédia de uma vida mal executada até na morte.


por marcos romão

indonesiabrasileiroexecucaoafp-jornalmontesclaros-150x150A deputada ex-ministra dos direitos humanos Maria do Rosário, poderia ser mais ponderada em sua manifestação via twitter, quando desabafa:”Fui contra a execução, sou contra a pena de morte. mas que interesse há para onde suas cinzas irá no Brasil. O sujeito não era um herói, era um ttraficante”.
A voz de um deputada e ex-ministra tem peso oficial.
Mas esta mensagem não esclarece. Põe é mais lenha na fogueira da ignorância geral sobre política internacional e nas dúvidas que as pessoas com sangue quente têm em relação aos direitos humanos e regras internacionais para todos.
Não se trata aqui, da execução de um “traficante”, poderia ser um “cristão, um muçulmano, um judeu, um comunista, uma mulher que largou o seu marido. Poderia ser qualquer um, dependendo da orientação política e moral de cada país.
Vivemos em uma comunidade Internacional. Se não respeitamos os vivos, que respeitemos os corpos dos mortos.

500 mil a um milhão de mortos na Indonésia

500 mil a um milhão de mortos na Indonésia

Política interna da Indonésia é o que está por trás desta onda de execuções no país, feita com grande alarde interno, de “cristãos ocidentais”, que trazem o mal “de fora” para o país. O Marcos Archer, por incrível que pareça, se encaixou muito bem com sua imagem de branco playboy europeu, para a mídia local sair mordendo raivosa, afinal era a imagem ideal de um traficante do “ocidente degenerado”. Nem sempre o branco brasileiro leva vantagem em tudo.
Foi acompanhado de um holandês, ainda representante do antigo regime colonial europeu, e de “malasianas” traficantes, este outro povo de fora, que traz o mal com usas mulheres ‘imorais” para a Indonésia.
Ora bolas, nossa imprensa só cuida da estória do playboy mimado, o “herói mau-caráter”, que sempre se dá bem no final da novela ao dar um óbulo para a igreja mais próxima. E não busca a fundo o porque a pena de morte volta a ser executada com toda a fúria na Indonésia, caracterizando uma polarização internacional.
Não é só Estado Brasileiro, que está indignado e consternado, é a Europa também. A pena de morte, sua extinção em todo mundo é um objetivo desde a Declaração Universal dos direitos Humanos em 1948. Estados Nacionais são para proteger a vida de nacionais e estrangeiros. No caso atual foi executado um traficante, antes foi para dissidentes e quem pensasse diferente.
Pena de Morte uma vez instituída serve para qualquer coisa, nas mãos dos poderes de um Estado Nacional. Esta é a questão.
Tanto na Indonésia, como no Brasil, estas execuções servem para saciar a sede de sangue e de justiça, de dois povos maltratados pelo poder judiciário e pelas polícias corruptas de seus países..

Massacre de Vigário Geral

Massacre de Vigário Geral

Tanto no Brasil, quanto na Indonésia o poder do dinheiro Impera. Tem grana. a cadeia vira hotel e central de operações tanto para traficantes, quanto para políticos corruptos.
Não tem grana, é só porrada e tortura, para alimentar as máquinas da violência e manter seus povos pensando que a vida é telenovela, e que o mundo é dividido entre mocinhos e bandidos.E que a vida se faz da máxima “olho por olho, e dente por dente”.
Ora bolas, como no Brasil, a Indonésia teve um golpe civil-militar em 1964, e como no Brasil era para combater o “perigo do comunismo” e a corrupção.
Se é que dá para comparar ditaduras, a do Brasil foi pinto, perto da Indonésia. Lá massacraram em 65 e 66 no mínimo 500 mil “comunistas” e “suspeitos” de serem comunistas. Foi um banho de sangue, em que até hoje a maioria das famílias indonésias choram seus mortos.
Feito no Brasil, a ditadura de lá não acabou com a corrupção, mas feito no Brasil, os esquadrões da morte e da corrupção, se aperfeiçoaram após as ditaduras acabarem
No Brasil, poucos demonstram orgulho por terem prendido, torturado e matado. Na Indonésia, vão para a televisão, participam de filmes e se jactam de como mataram à faca e porrada, os “inimigos” da Indonésia. Tudo era justificado pela guerra fria.
Hoje o inimigo lá é o “estrangeiro”, seja lá o que isto significa, pois massacram e executam como “traidores”, os povos aborígenes no em suas províncias anexadas à Indonésia em 1965.

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