A economia, o tigre e o elefante


Luiz Carlos Azedo

 A troika Levy, Barbosa e Tombini estabeleceu como objetivos sanear as contas públicas e  levar a inflação para o centro da meta com uma estratégia gradualista e cautelosa

Não sou economista, mas como diria o sábio Ho Chi Min, mesmo sem conhecer profundamente a anatomia dos animais, sei distinguir o tigre de um elefante.

Aprendi com meus professores de Introdução à Economia da UFF, quando estudava Ciência Sociais no ICHF. Quase todos eram militantes do velho PCB e controlavam o Departamento de Economia da FEA.

Por isso, “Conceitos Fundamentais de O Capital”, de Lapidus e Ostraviatianov, entrava na bibiografia ao lado de Economics, de Paul Samuelsen, dos clássicos de Adam Smith, John Stuart Mill e Afred Marshall e do imprescindível Lord Maynard Keynes. Era palavrão falar na Escola de Chicago e em Milton Friedman, que ganhou o premio Nobel de Economia de 1976.

Com esse pedigree, vou dar meu pitaco sobre a nova equipe econômica. É o tigre brigando com o elefante. Há também muitos gatos selvagens nessa história, mas isso não vem ao caso agora. A troika Levy, Barbosa e Tombini estabeleceu como objetivos sanear as contas públicas e  levar a inflação para o centro da meta.

Não é propriamente um choque na economia, porque a poupança do setor público prevista para 2015 é baixa, cerca de R$ 70 bilhões (superávit primário de 1,2% do PIB, que subiria para 2% em 2016 e 2017). É uma estratégia gradualista e cautelosa do tigre para derrotar o elefante, que controla todos os demais ministérios.

O problema é que isso não restabelece a confiança dos investidores por antecipação; ela só virá na medida em que tal política for implementada com sucesso, o que não está garantido, haja vista a existência de adversários da nova equipe em pontos-chave do governo.

Não foi à toa que Tombini enfatizou o fato de que a inflação ficou longe da meta por causa dos gastos públicos.No curto prazo, o governo manobra para evitar o rebaixamento do grau de investimento do Brasil pelas agências de risco, que estreitaria o mercado para os títulos brasileiros e forçaria nova alta dos juros, com grande impacto nas contas públicas. Sem falar nos investimentos propriamente ditos.

A nova equipe precisa ter a simpatia do mercado. Para isso, Levy sepultou o diagnóstico de que o problema da economia é a demanda fraca, tese adotada pelo governo Dilma e que fracassou. Não por causa das teorias de Lord Keynes, mas, sim, de uma política errática e “rudimentar” para implementá-las.

Se não houvesse tanto desleixo em relação aos gastos do governo, as teorias keynesianas para estimular o crescimento poderiam dar certo. Jamais, porém, com tantos “ralos” abertos na administração pública, para usar uma expressão da própria presidente Dilma Rousseff. E com esse fabuloso escândalo na Petrobras, que já é internacional.
Hoje será divulgado o PIB do terceiro trimestre, Não será surpresa se for constatado que a economia brasileira entrou praticamente em recessão. Dilma é economista e sabe que a situação é grave. Montou no elefante para se reeleger a qualquer preço e agora terá que sacrificá-lo no altar do seu segundo mandato , que corre o risco de um desastre iminente.Em tempo: o IBGE divulgou o PIB do terceiro semestre: 0,1%, o suficiente para sair da recessão técnica. O consumo das famílias caiu 0,3%. O Ministério da Fazenda,  na contramão da nova equipe,  atribui o resultado à falta de crédito. Dá-lhes, Mantega!

Nota do editor da Mamapress: Luiz Carlos Azedo é nosso amigo desde criancinha. Sua memória, arquivos e experiência na redação do “Pravda” brasileiro à época da ditadura, me lembra dos tempos de uma esquerda que não só uivava mas que também analisava. Marcos Romão
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