Hino da Faculdade de Medicina da USP chama mulheres negras de “imundas” e ‘fedorentas’


Bateria de faculdade de medicina da USP Ribeirão Preto é acusada de racismo. Hino cantado por alunos chama negras de ‘fedorentas’ e ‘imundas’medicina-usp-racismo-batesao-e1415796559514

Nota da Mamapress: Pronunciamentos de professores contra as cotas para negros e afirmações que não gostariam de serem atendidos por médicos negros, ataques neonazistas aos negros e negras nas redes sociais vindos de estudantes universitários, e pixações contra os negros em diversas universidades do Brasil, têm sido a tônica das agressões racistas que ameaçam aos negros e negras do Brasil no ano de 2014.

A tendência é aumentar se não houver um grito de basta na sociedade. Ou a direção das universidades dão um basta nesta ignomía,  ou do contrário teremos que organizar grupos de autodefesa para protegerem nossos parentes, vizinhos e amigos, alunos e alunas que estão sendo discriminados e violentados em sua dignidade humana dentro das universidades.
A violência discriminatória começa já na entrada de alunos negros nas faculdades, e é praticada através de humilhantes e abnormais agressões, nos tristemente famosos ” batizados de calouros”.

A violência e discriminações, que viraram tradição nas universidades, se estendem às mulheres, aos grupos LGBT, aos indígenas e aos estrangeiros. É preciso dar um basta.

Vamos monitorar todo o país e pedimos ajuda a toda a sociedade brasileira, para que no próximo ingresso na universidade, os calouros e calouras sejam protegidos das humilhações e agressões que  têm se repetido a cada semestre. Basta de racismo, xenofobia, sexismo, homofobia.

Exigimos que as associações profissionais tomem uma posição e declarem que formandos com fichas de racistas, xenófobos, sexistas e homofóficos não receberão a habilitação para o exercício da profissão, por serem ameaças à sociedade. São bombas neonazistas e racistas que podem explodir enquanto estamos anestesiados.

Como poderá uma mulher negra, um homossexual, um estrangeiro, ou uma mulher de qualquer cor, entrar em um consultório médico ou em um hospital,  para serem atendidas por pessoas formadas no ódio e racismo contra as minorias?

É um risco de vida deixar-se operar por um futuro médico racista, xenófobo, sexista e homofóbico.

Temos que cortar este mal pela raíz!
Marcos Romão-Redator Chefe da Mamapress, e coordenador a Rede Radio Mamaterra e do Sos Racismo Brasil.

Denúncias de racismo, xenofobia, sexismo, homofobia e outras formas de violência em uma das mais importantes faculdades de medicina do país foram apresentadas nesta terça-feira (11), na Comissão de Direitos Humanos da Alesp (Assembleia Legislativa de São Paulo), que realizou uma audiência pública para tratar de casos de violações supostamente praticados na FMUSP (Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo).

A “morena gostosa”, a “loirinha bunduda” e a “preta imunda”. É assim que um hino da bateria da faculdade de medicina da USP Ribeirão Preto (a 313 km de São Paulo), chamada Batesão, se refere às mulheres.

A música, que fala de de loira e morena, fica mais agressiva ao se referir à mulher negra, que é tratada como “preta imunda” e “fedorenta”. A música cantada em jogos universitários e durante festas da faculdade e foi divulgada neste ano em um manual para calouros do curso, junto com camisetas da atlética da medicina.

A letra na íntegra não é passível de publicação por causa de seu alto teor sexual.

Ninguém da Atlética Acadêmica Rocha Lima, da medicina, quis se pronunciar sobre o material e as acusações. A Bateria da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto (Batesão) publicou uma nota de retratação em sua página no Facebook.

USP repudia discriminação

A USP São Paulo afirmou em nota que é contra qualquer forma de violência e discriminação. De acordo com a universidade, “a cultura da instituição é baseada na tolerância e respeito mútuos, valores que são passados aos seus alunos”.

A instituição ainda diz que foi formada recentemente uma Comissão com docentes, alunos e funcionários com o objetivo de propor ações para resolver problemas relacionados às questões de violência e preconceito, além do consumo de álcool e drogas.

O vice-diretor da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto, Hélio Cesar Salgado, afirmou, em nota, que está surpreso com a existência dessa letra de música. De acordo com Salgado, essa atitude é repudiada e que o fato será devidamente examinado pela direção da faculdade.

com Folha e R7

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