Consciência Negra e Polícia Militar: Desafios e Perspectivas.


por marcos romão

Coronel Ibis Pereira e Marcos Romão

Coronel Ibis Pereira e Marcos Romão

Estive lá na Academia de Polícia Militar Dom João VI, nesta sexta feira, 14, do mês da Consciência Negra de 2014.
Palestrei junto com outros ativistas do movimento negro e autoridades, sobre o racismo institucional no Brasil.

Tive a chance de conhecer o atual Comandante da PM Ibis Silva Pereira, um policial formado em filosofia.

A platéia era formada pelos novos oficiais da polícia militar, que irão assumir seus postos em 1° de janeiro de 2015, depois de três anos de formação, na escola em que Coronel Ibis ministrou suas aulas para estes alunos, que ele fez questão de citar, conheceu cada um pessoalmente durante o curso.

O escutei falar para seus alunos, os novos oficiais da PM, que eles haviam aprendido o que era Dignidade Humana que eles terão a obrigação de defender na sua nova profissão de policial. Disse que policial é para defender a dignidade humana e a vida de todos. Que a condição humana da pessoa, continua a existir, mesmo quando ela comete um crime. Que um policial deve ser rigoroso ao prender, mas que sempre respeite a legalidade democrática. Quem não respeita a dignidade humana pode ser tudo, menos um policial.

O Comandante Íbis convidou o Coronel Frederico Caldas, Comandante da Coordenadoria de Polícia Pacificadora e todos os 38 comandantes-gerais das Unidades de Polícia Pacificadora (UPPs) para tomarem um “Café Filosófico” com ele, na próxima terça-feira, 18, no QG da corporação no centro da cidade.

É um momento delicado, de rupturas e mudanças nas políticas de segurança do Estado. Coronel Ibis chama seus comandados para conversar informalmente.

Teremos mudanças?

O Globo, através de uma coluna (14.11), já ironiza e chama o encontro de inusitado.

Caso o Coronel Ibis repita para os comandantes, o que falou para seus alunos sobre direitos humanos e dignidade de todos, que a polícia tem que defender. Creio que sim.

Caso se converse e filosofe sobre o silêncio, que a sociedade mantém sobre as mais de 1 milhão de mortes por homicídio que aconteceram no Brasil nestes 26 anos, desde que foi lavrada a Constituição de 1988.

1 milhão de mortes das quais, segundo suas palavras, mais de 70% foram de jovens negros entre 14 e 24 anos.

O Rio de Janeiro poderá ser um exemplo e sinal de que pelo menos a nossa sociedade começou a pensar em estancar o assassinato de nosso futuro, que é a morte de nossos jovens.

Hoje foi um dia em que testemunhei mais de uma centena de jovens oficiais ouvirem que a tarefa principal deles é defenderem a Vida e a Dignidade Humana.

Creio que a sociedade como um todo, só espera isto. Pois tendo dignidade e sendo respeitado o direito à vida que cada um tem, toda a sociedade, inclusive os policiais poderão viver sem medo de seus familiares, amigos e vizinhos.


ceppir militar

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