Cabelos crespos igual à ladra. O dia a dia das jovens negras nos Shoppings nacionais. Mais um caso de racismo inexistente…


por marcos romão

boletim de ocorrênciaAgora foi na loja Riachuelo, no Shopping do Iguatemi em Salvador. Mais uma vez uma jovem negra sofre constrangimentos racistas ao fazer compras.

Seu relato no facebook, e o registro de queixa em delegacia, contam por si as dificuldades e constrangimentos pelos quais passam jovens negras, que com seus cabelos crespos circulam pelos shoppings do Brasil.

A maioria vai às compras despreocupada, como qualquer jovem de hoje em dia, e se pretas, elas não preveem nenhum problema, ainda mais em uma cidade como Salvador. Todas chegam a pensar que é natural para uma jovem negra, com seus cabelos encrespados, fazer compras  em uma loja de “Griffe” do “”soçaite” em Salvador, a conhecida “Roma Negra” brasileira. Não é.

Na página Sos Racismo Brasil recebemos toda semana queixas deste tipo, a maioria só reclama, não desejam levar os casos adiante.

Não foi o que aconteceu com a jovem A.P.B. Ela reagiu e o caso foi parar em uma delegacia. É o que nós chamamos de efeito educativo, que o jogador Aranha provocou na sociedade brasileira ao reagir contra o racismo.

A jovem A.P.B resolveu não levar desaforos nem ofensas para casa. Sofreu constrangimento moral e quer punição aos agressores de sua integridade pessoal. Foi racismo? A justiça irá decidir a questão legal.

Nós da Mamapress, já temos nossa opinião. Só pode ser racismo coletivo, os constrangimentos por que passam e as ofensas que recebem as jovens negras no Brasil.

Aqui segue o relato de A.P.B publicado no seu perfil no Facebook.

Aconteceu comigo, aconteceu hoje.
Comecei meu dia muito bem, fui pra uma aula maravilhosa, nem imaginaria que poucas horas depois estaria na delegacia prestando queixa.

Acho importante que o máximo de pessoas saibam o ocorrido, pois não acredito que seja um fato isolado.
Passei no shopping Iguatemi depois da aula pra resolver umas coisas, entre elas efetuar um pagamento na loja Riachuelo, entrei na loja pelo terceiro piso e umas bijuterias em promoção chamaram minha atenção, parei para olhar e vi um brinco no formato de filtro dos sonhos, mas para mim (acostumada com AliExpress) estava meio caro e segui, parei novamente póximo aos caixas para ver o preço de um copo, quando um funcionário tocou em mim.

A princípio imaginei que queria passagem, quando ele me perguntou se eu estava assustada. Antes que eu respondesse qualquer coisa, pois estava atônita, ele foi ordenando que retirasse o brinco da bolsa. Que brinco, meu Deus!!!
Indignada e confusa comecei a retirar tudo que havia na minha bolsa ali mesmo. Como a referida aula era de filmagem, estava com o equipamento dentro de uma bolsa menor, ele apontou pra esta bolsa. Pedi que ele olhasse o conteúdo da bolsa, pois não gostaria de expor o mesmo, ele pediu que uma outra funcionária que havia se aproximado para olhar o interior da bolsa onde o equipamento fotográfico estava devidamente guardado. Esta funcionária era justamente a pessoa que supostamente me viu colocar o brinco dentro da bolsa e já chegou perto de mim com uma cestinha para que eu lá colocasse o tal brinco.
Várias pessoas me olhavam, pedi que se identificasse e disse que não sairia da loja sem as informações necessárias para prestar a queixa.
Falei com supervisora, que se desculpou e disse que esse não era o procedimento adotado pela loja, me explicou como seria, tentou me enrolar, disse que a tal funcionária que me acusou era temporária e estava no primeiro dia (E eu com isso?).
Exigi ver ela registrar a ocorrência, peguei o primeiro nome e função dos três, registrei o ocorrido com a administração do Shopping e segui para a 16º. Relatei a ocorrência e vou levar a diante.

Provavelmente será apenas mais um processo contra a loja, mas é questão de honra levar até a última instância, como disse no princípio isso não é uma situação isolada, senti hoje o verdadeiro peso do racismo, aquele que transforma negra, de cabelo crespo em ladra.

Podem dizer que não há relação, mas enquanto eu não vir moças brancas com seus cabelos lisos relatarem fatos iguais não me convencerei. Estava vestida de maneira simples, como grande parte das mulheres jovens numa tarde de sábado muito quente, um short e sandálias havaianas.

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2 pensamentos sobre “Cabelos crespos igual à ladra. O dia a dia das jovens negras nos Shoppings nacionais. Mais um caso de racismo inexistente…

  1. FAÇO UM PEDIDO AOS PRETOS E PRETAS DESSE PAÍS QUE TODAS AS VEZES QUE FOREM FAZER COMPRAS,PEDIR DOCUMENTOS,PROCURAR EMPREGO,ENTRAR EM ONIBUS,METRÔ.FOREM ABORDADOS PELA POLICIA…E OUTRAS COISA DO GENERO…LIGUEM A CAMERA DOS SEUS CELULARES!A ANA PAULA DENUNCIOU,NO ENTANTO,Ñ TEM NENHUMA PROVA.UM ADVOGADO CONHECEDOR DAS BRECHAS DA LEI,VAI USAR DESSE ARTIFICIO PRA DEFESA DO SEU EMPREGADOR E A DENUNCIANTE AINDA CORRE O RISCO DE SER PROCESSADA POR CALUNIA E DANOS MORAIS,ENQUANTO A LOJA AINDA TEM O SEGURANÇA E A VENDEDORA(QUE Ñ DEVEM SER BRANCOS) E A GERENTE QUE PODEM MUITO BEM DECLARAR QUE NADA DISSO ACONTECEU NO INTERIOR DO COMERCIO.E AÍ!?PIOR QUE ISSO ACONTECE EM UM LUGAR QUE A CADA 10 PESSOAS,6 SÃO AFRODESCENDENTE E QUANDO CHEGA AS ELEIÇÕES ELES MESMOS SÓ VOTAM EM BRANCOS.

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