Quando dois jovens de peles pretas pintam em branco a suástica nazista na estátua de Zumbi dos Palmares


por marcos romão

Mais dois racistas se mostram “arrependidos” depois que viram a merda que fizeram.racistas zumbi

Parece que virou moda, ser racista, cometer atos racistas e fascistas, e depois dizer, “desculpem, foi de mau jeito”.
Não lamento nada, nem abono o fato de eles serem dois homens de pele preta. Eles têm que pagar na justiça.
Vi muito bem os que pixaram. Como mesmo sem ver sei quem mata pretos em nome da sociedade em nosso Estado do Rio, muitos homens de pele preta.
Não considero que estejamos mal o tomarmos conhecimento desta triste realidade.
Pelo contrário estamos apenas vendo escancarado, que o buraco do racismo contra os negros é mais embaixo do parece a dualidade brancoXpreto.
Estamo vendo que o racismo contra “ser negro” se entranhou de tal forma em nossa sociedade, que jovens homens de pele preta matam pretos em nome da ordem do Caveirão, ou suicidam-se com spray branco pintando suásticas em suas próprias caras em nome da ordem de sei lá quem. E sabem o que estão fazendo.

Para combater o racismo é necessário olhar para toda sociedade, independente da cor do racista contra o povo negro. Cor da pele não é nenhum passaporte de anjinho. Racista tem que ser punido exemplarmente. E basta.‪#‎marcosromaoindignação

Ps: Não tenho nenhuma vontade de encontrar essas pessoas negras que pixaram a suástica nazista na estátua de Zumbi dos Palmares, assim como não tenho também nenhuma vontade nem paciência mental pois iria vomitar, para conversar com os dois jovens PMs de peles pretas, que filmados por si mesmos através das câmaras do carro policial que dirigiam, transportavam para a execução dois jovens negros, um dos quais escapou para contar.
Gostaria entretanto de saber o que eles pensam, eles, estes homens jovens de pele preta, que nem trinta anos possuem e que tem prazer de matar outros jovens ou destruir seus símbolos de dignidade e autoestima.
Gostaria de saber se eles refletem ou elocubram alguma coisa em suas cabeças, sobre a razão dos seus atos.
Gostaria de saber o que pensam, para quem sabe encontrar um método de ação para barrar estes terríveis atos racistas antes que aconteçam;
É muita morte física e mental dos jovens negros que acontece. Não posso ficar impassível diante deste horror genocida do jovem negro no Brasil.
Combater o racismo é uma questão nacional.

assistam o vídeo da prisão e confissão

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4 pensamentos sobre “Quando dois jovens de peles pretas pintam em branco a suástica nazista na estátua de Zumbi dos Palmares

  1. Boa noite, senhor Marcos Romão.
    Peço licença, sem ofensas, para falar de algumas afirmações no texto do senhor que me incomodaram. E, incomodar no sentido de reflexão. Não é pessoal. Inclusive acompanho e divulgo suas postagens e campanhas, porque respeito a sua opinião e me identifico com muitas posições. O crime desses dois homens precisa de punição, mas, não existe racismo de negro para negro, existe auto-ódio, fica claro que é isso que esses dois canalizaram não se sabe como e isso me intriga e assusta e extravasaram. Pergunto se antes de matar negros e depredar nossos símbolos de resistência não estão mortos. Uma morte psíquica. E, me pergunto que tipo de recrutamento é esse que está matando a psique desses jovens dessa forma. Não estamos acostumados com isso. Estamos acostumados com a mutilação da imagem, solidão da mulher negra, anulação de nossas conquistas, culpabilização do racismo que sofremos, assim vai. Porém, não dessa “psicopatia” que aniquila a si mesmo matando o outro. Quando e onde este tipo de lavagem cerebral ocorre. Estou problematizando para que em nossa indignação não culpabilizemos, pela atitude desses jovens, um grupo todo com expressões tais de “está vendo o negro tem racismo dele mesmo”, como se anos de colonização, sofrimento psíquico fosse culpa nossa. É grave o que esses dois fizeram, mas, não sabemos se tem mais jovens nesta condição. Já pensou? Morte pela polícia e morte psíquica por cooptação de neonazistas. Esse crime cheira a isso. Suposição minha pelo que li.
    Penso que é melhor discutir a que ponto a destruição da auto-imagem do ser-estar-no-mundo dos afro-brasileiros chegou, pegando esta situação como modelo, a partir da ação nefasta desses homens negros. Ou seja, o crime que cometeram fizeram contra eles mesmos. Poderíamos chamar de “psicopatia do racismo”? Por que não? O ódio e exclusão dos negros pela nossa sociedade é tamanho que gerou nesses homens, que, não se veem mais como negros, o desejo de acabar com negros. Isso não é racismo, isso é auto-destruição. E a vemos cotidianamente na não aceitação de muito irmãos, só que agora ocorre de forma extrema. Exemplo, as mutilações de cabelos e peles branqueadas. Mães negras que por introjeção obrigam suas filhas a se casarem com brancos, não respeitando afeto ou escolha conjugal. Estão doentes pelo projeto de abjeção que sofremos há cinco séculos. Tenho falado e repetido como uma ladainha na rede “vamos falar de auto-ódio, gente?” para construirmos o auto-amor. Como o senhor disse que gostaria de saber o que eles pensam. Se eu pudesse perguntar o que pensam seria sobre o que pensam sobre si mesmos e veríamos o auto-ódio de forma perversa, como “psicopatas” falando. Ou será que não tiveram um surto psicótico? Surto esse que matava nossos ancestrais em manicômios? Delinquência mesma que acaba com a vida de milhares de jovens negros que não veem saída para a miséria material e familiar? No caso desses dois psíquica. Não começaram eles odiando seus narizes, sua cor, seu cabelo, sua existência como negro, não vendo saída se renderam à eugenia? Não começa assim o auto-ódio? Contudo aqui ganha contornos de perversidade a mostra, sem requintes de padrão de beleza, sem violência particulares, como estamos acostumados.
    Estou inocentando eles? De forma alguma. Inocência foi assassinada neles, como é em milhões de garotos que não tem chance ou se têm internalizaram que não são capazes, já no útero de suas mães e na ausência de pais que aprenderam assim: a não se amarem e a não ter liberdade. Nosso corpo não é nosso.
    Imagine quantas e quantas mulheres em surto pela falta de amor e dignidade que sofrem ano após ano, não se matam, bebem, enlouquecem, perseguem suas irmãs ativistas, porque não conseguem se ver. Estão com seu ego destruído. Não seria o caso desses dois, em outra face funesta do racismo? Algo que se revela agora? O que nos dói é que não há um gene de ativismo. Infelizmente.
    Não quero ser arrogante com um cientista político como o senhor, que respeito, mas, chamar negros de racistas é reforçar o discurso incorporado pelo senso comum (da branquetude) de que isso existe mesmo, o que nos impede de problematizar o racismo em sua remodelagem perversa: quando a sociedade branca culpabiliza o negro pelo racismo que sofre. Ou seja, essa explosão de violência de homens negros contra homens negros e nossos símbolos de resistência não seria uma adesão patológica à eugenia? Se a coisa chegou a esse ponto, então, precisamos ponderar e discutir isso com clareza, com cuidado. Para que o que o senso comum dita para nós como nossa responsabilidade não ofusque, justamente, uma nova forma de violência, assustadora, uma em que negros esvaziados de sentido da própria vida, morrem psiquicamente e começam “como máquinas do aparelho racista” a matar seus iguais.
    Seria um caso de tratamento intensivo, de resgate dessas existências. Será que existe pesquisa em psiquiatria sobre isso? E a psicologia, tão branca, normativista, dadas as exceções (vejamos os estudos sobre branquetude) o que dirá?
    Esses homens não são diferentes, respeitando as devidas proporções e contextos, das mulheres que branqueiam a pele, mutilam seus cabelos e ensinam seus filhos a se odiarem porque foram e são cotidianamente ensinadas a se odiarem. Mas, no caso aqui, o efeito dominó das pequenas violências de mulheres negras contra si mesmas virou barbárie. Mas, as pequenas violências contra nós mesmas não é barbárie também? É que passam como invisíveis, a sociedade branca dita como deve ser nosso cabelo, o uso de nosso corpo, então, acostumamos, muitas de nós, com essa violência. Porém, no caso dos homens, o efeito é intenso e rápido, mas, a violência desses dois contra si mesmos, como no caso das mulheres, também, não aparece rápido. Imaginem, e, é suposição, que depois de esvaziados de auto-amor e auto-respeito, esses homens, sem se verem mesmo, esses dois foram cooptados por neonazistas e treinados por eles. Não duvido.
    É mais complexo do que penso, reconheço. Declaro que estou em minha campanha para compreendermos e curarmos o auto-ódio que criou a síndrome de Pelé em milhares de negras e negros (auto-negação e mutilação) e agora adesão de negros sem identidade, doentes psiquicamente, com a auto-imagem destruída incorporam a ideologia do nazismo. Não é um sintoma da doentia falsa democracia racial mais a entrada sorrateira do nazismo no país? Mexemos nisso e vemos que não é caso isolado. Mexemos nisso e vemos que o racismo neste país protege seus sujeitos ocultos sempre: a categoria homem-branco-descendente do colonizador e/ou a categoria herdeira do nazismo. Estamos cercados, porque o sistema violenta, mata física e psiquicamente criando e recriando nossos feitores e capitães do mato, sempre a serviço do real sujeito racista, o dominador branco (essa categoria sempre protegida – invisível – no discurso).

    Grata.
    Att,
    Rosa Correa da Silva
    Núcleo de Formação Cênica Mulheres no Bote. Santo André-Diadema/SP

    Date: Wed, 22 Oct 2014 02:43:18 +0000
    To: rosaluddo@hotmail.com

    • Boa noite cara Rosa da Silva,não precisa me chamar de senhor apesar da minha idade.
      As mesmas peguntas que você faz, faço eu. Auto-ódio, auto-negação,invisibilidade de si mesmo e por aó afora, considero lamentavelmente como formas de racismo. Nós negras e negros “estamos” neste racismo e somente nós podemos tratar dele. Prá mexer com algo que nos incomoda, só reconhecendo o racismo de nós para nós mesmos que existe. A outra parte o racismo dos brancos contra nós, temos que nos defender, mas isto é problema para eles resolverem e tenho certeza vaõ levar muito tempo.
      Você aponta pistas muito fortes e bem olhadas no nosso estar no mundo, neste pedaço chamado Brasil. Não me atenho ao conceito que se dê, pois não me importa o que o pensamento “branco” pense, pois para esta estrutura de pensamento racista branca, somos os culpados até quando ficamos de boca fechada.
      No momento estou cansado pela hora, mas tive o prazer dolorido e interessado em ler o que escreveu, e valeu à pena, pois acrescenta muito a esta discussão iniciada, que digo logo, com indagações que não tenho ainda resposta. Kilomba uma negra portuguesa, fala, somos a reconstrução de cacos de nossa história espalhados pela diáspora, mas somos. Sei que os rapazes, os 4 são vítimas e mais cedo ou mais tarde apresentarão pscopatias pelos atos cometidos, se já não apresentam. Mas como disse quero saber o que eles pensam, o que nós pensamos para frear esta catástrofe que o racismo está causando entre nós. Gostaria de republicar na mamapress, todo este texto como artigo. Temos que falar. Abraços Se tiver tempo assista este vídeo http://youtu.be/JSuh_Rcm_o0

  2. Falta de MN. A excelente reflexao de Rosa, sobretudo por nao perder de vista a particularidade dos agressores no âmbito do coletivo. Os q xingaram o jogador de macaco, o policial q mata o ladrāozinho, enfim, cda 1 na sua nuança mas, todos negros agredindo negros. Tem muitos negros votando na ala racista. Pra mim nao basta a análise da subjetividade desses sujeitos. Afinal o nazista branco tbém tem a dele. É da ordem do coletvo, educar, prevenir e nazismo identificado, colocar o limite. Leis/ racismo såo conquistas. E p/ elaborar essa vergonha, fazer valer a pauta do racismo institucional.

  3. Pingback: Two black men turn themselves in after spraying a swastika on Brazil’s most powerful symbol of black resistance; didn’t know what swastika meant | Black Women of Brazil

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