20 de junho de 2013 e as eleições de 2014 no RJ.


20 de junho 2013

Foto João Carlos Araújo

por marcosromão
Neste momento de fim de tarde do dia 20 de junho de 2013, ainda eram centenas de milhares manifestantes mostrando seu protesto na Presidente Vargas no centro do Rio de Janeiro.
Uma horas depois aconteceu o ataque terrorista da polícia estadual, com apoio da guarda nacional contra1 milhão de manifestantes que voltavam para suas casas.
Todos fomos caçados pelas ruas da cidade e tratados como sub cidadãos. 300 mil
Jovens, idosos, mulheres, homens e escolares corriam, corriam e corriam de bombas de gás, balas de borracha, cassetetes e principalmente do escárnio e do ódio pessoal que cada policial demonstrava.
Quem instruiu estes policiais para nos odiar ao invés de nos protegerem?
Quem os preparou, para primeiro se posicionarem em vários pontos do centro da cidade que eram os caminhos naturais para o povo pacífico voltar para casas?
Quem ordenou o ataque à população que aconteceu em várias frentes ao mesmo tempo?
Da Glória ao Catumbi, não havia para onde fugir. O gás e a perseguição a todos e qualquer um estava onipresente.
Quem foi que ordenou, quem participou do comando de execução desta violência monstruosa e de surpresa contra cidadãos que se manifestavam pacificamente?
Seriam os policiais que estão sendo presos nas duas ultimas semanas por formação de quadrilha, corrupção e achaques?
Quem foi?
Que magistrados, promotores, procuradores e assessores jurídicos, respaldaram legalmente esta ação de regime de exceção?
Participou o governador diretamente desta central de comando terrorista, que atentou contra as liberdades individuais, direito de ir e vir e liberdade de opinião de cada cidadão?
Nunca saberemos, mas também nunca esqueceremos.
Participante da manifestação com minha família, não pude pegar a barca para Niterói. Quem para lá se dirigiu teve que ficar sentado no chão por duas horas cercados por policiais na Praça XV. Fomos dormir em casa de parentes, justamente no bairro atrás do palácio do governador, que estava todo iluminado, qualhado de policiais e provavelmente com um comando assistindo nas telas, as cenas filmadas por helicópteros da polícia, que não só filmavam as ruas e a população correndo, como também jogavam bombas de gás.
Ninguém que participou esquece!
Em poucos dias teremos um novo governador escolhido nas urnas.
Muita gente não votou no primeiro turno, traumatizadas com a violência e descrentes nas autoridade que se presume tenham participado deste atentado ao direito de manifestação de 300 mil pessoas.
A maioria que estava nas ruas, eram pessoas que nunca haviam participado de uma manifestação democrática com esta dimensão.
Que o futuro governador recupere o elo perdido da confiança entre governo e cidadão.
Que o futuro governador deste estado passe a ver o cidadão como um ser humano igual e não como inimigo de estado.
Que o futuro governador saiba que ele é só o governador e não o estado.
Que o futuro governador dê sinais que o estado democrático no Estado do Rio de Janeiro será restabecido através do diálogo com toda a sociedade e não através das armas que selecionem entre bons e os maus, entre quem pode viver e quem está marcado para morrer, como estão morrendo à bala os jovens negros em nossos municípios.
Que o futuro governador governe para os que estão com o governo e os que estão contra o governo.
Nós cidadãos queremos retomar o estado em nossas mãos, queremos nos relacionar sem medo com quem o dirige.
Que o futuro governador respeite e leve em conta a opinião de todos os eleitores, e de todas a manifestações de voto. A manifestações de votos válidas, as abstenções e as manifestações através do voto nulo.
Tenho esperança que a partir das 18:01 do dia 26, o estado do Rio passe a ter uma governança que finalmente traga todos para o mesmo barco, e juntos com todos os cidadãos quebremos este círculo vicioso de paz armada, que tornou a todos inimigos um do outro, com cidadãos que desconfiam de tudo que venha do governo e até agora com razão.
Parece sonho, mas está mais que na hora de termos um governador que confie em seu povo e diga onde está Amarildo.
Vai ser difícil retomar a confiança do povo, mas tem que começar. Pois como está não dá.
Senhores possíveis governadores, abandonem as sombras do medo, do arbítrio e da intolerância, que possa estar por trás de vocês.
Assim quem for eleito poderá caminhar mais leve e sem a canga da desconfiança nas autoridades que estamos vivendo atualmente. ‪#‎marcosromãoreflexoes‬

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