Desabafo: Fui violentada e humilhada como advogada negra, por policiais em Brasília


Por Jô Serra

URGENTE. Pessoas, hoje estou me sentindo mais humilhada, dolorida que ontem data do fato. Fui fazer uma audiência ontem na Cidade Ocidental.

Desci na Rodoviária do Plano Piloto e como estava cedo, resolvi ir andando até a sede do PDT. Estava perto da Biblioteca Nacional e vi cinco PMs negros gritando com um jovem negros e duas meninas brancas, as meninas foram liberadas e com o jovem, eles continuaram gritando e jogando as coisas dele no chão.

oabQuando fui passando perto, eu  perguntei para o jovem onde ele morava e disse para ele ir embora, tinha um outro jovem sentado no telefone e passei direto, vi a viatura indo para perto dele, e continuei o meu caminho.

Estou caminhando e ouvi alguém dizer: Senhora pare, continuei porque várias pessoas passaram por mim, mais não eram negras iguais a mim. A pessoa falou novamente e disse que se eu não parasse ela ia atirar, foi aí que virei e vi que era uma policial negra e estava ameaçando de atirar em mim. Aí vi mais mais um policial negro com arma em punho para atirar e falando que eu era surda.

A primeira coisa que eu fiz foi tirar a minha Carteira da OAB/DF, pois ela estava no primeiro bolsinho da bolsa, aí eu perguntei que o estava acontecendo. Esse policial negro falou que era para eu ficar calada, e começou a me arrastar para dentro do Camburrão e disse que precisava falar com alguém.

Ele me tomou o telefone e disse que quem mandava era ele, e o jogou no chão, e eu com a minha carteira na mão. Veio a tenente e a quem os outros obedeciam e falou começando quase tirar a minha roupa e falou, então, essa a “neguinha” é advogada, então, advogado para mim e …….é a mesma coisa, principalmente preta igual você. Cala boca, que os seus direitos a sua família vai ver amanhã, se a gente te jogar dentro da viatura”. Respondi e disse que ia denunciar lá no partido, falei que era candidata e eles falaram que a eleição já tinha passado, eu falei que agora a gente ia trabalhar para eleger o Governador Rollemberg, quado derramaram as minhas coisas todas no chão, e com arma em punho a tenente mandou-me juntar as minhas coisas e disse que não adiantava eu denunciar, pois quem iria acreditar na palavra de uma preta, em confrontação com a dela, e principalmente que eu não tinha testemunhas e lá não tinha Câmera.

Eu sempre defendi direitos, já sofri muita discriminação, mais essa é humilhante, degradante, violenta.

Não tenho medo de morrer, mais ontem fiquei com medo, de ser jogada no Camburrão e só aparecer morta e ainda com drogas e armas dentro da minha bolsa e não ia nem poder me defender, e quem ia acreditar que eu não era traficante, foi isso, que a tenente insinuou. E ainda sai sob ameaça de ser morta, se falar alguma coisa.

Nota da Mamapress: No momento, a advogada Jô Serra, recebe solidariedades de todo o Brasil, e está encaminhando para a OAB-Brasília, SEPPIR-PR e entidades negras. Acompanhe o desenrolar deste caso na página do Sos Racismo Brasil.

 

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