Muitas cartas para Aranha


“Sou, acima de tudo, uma mãe de família. Tenho 3 filhos ainda pequenos. Como muitas mães, faço parte de um grupo de mães e pais na internet, onde trocamos impressões, apreensões e alegrias sobre nossos amados filhos. O grupo que participo tem ainda uma especificidade: é um grupo de pais e mães em famílias homoafetivas. Além de discutir o melhor momento para o desmame, discutimos também como proteger nossos filhos da terrível violência homofóbica como essa proferida em rede nacional por este inconsequente, Levy Fidelix. Discutimos como proteger as famílias, todas as famílias.

Ao contrário do que disse o candidato de maneira chula e mal educada e, mais uma vez, violenta, nós podemos sim ter filhos, e muitos. Os casais de mulheres têm com frequência 3 filhos como eu. Um casal de homens nossos companheiros acabam de ter gêmeos. As técnicas de reprodução assistida estão a nosso favor, além da adoção – todas formas legítimas e juridicamente reconhecidas de filiação.

Só no nosso grupo conta-se cerca de 400 famílias com filhos.

Nossa intenção agora é justamente nos organizar em forma de associação ABRAFH (associação brasileira de famílias homoafetivas) para agir política e juridicamente contra as ameaças às famílias como essa que propõe esse candidato. Ameaça às famílias e à dignidade humana. Ameaça aos nossos filhos de crescer em um mundo estúpido e intolerante, violento e criminoso.

Desculpa, mas não dá para nos ter bem longe. Eu vou ao mesmo restaurante que você, meus filhos frequentam as escolas, as praças, a sociedade. Infelizmente também não posso viver longe de seres como este quase inacreditável candidato. Por isso mesmo, a lei precisa estabelecer as regras do nosso convívio.

Hoje tramita um projeto para que casos de homofobia, na falta de uma lei específica, sejam julgados de acordo com a lei que nos protege contra o racismo – e vários juízes já entendem dessa forma. Me parece bastante pertinente. Seja como for, temos que achar os meios legais para que esse Sr. responda processo por incitar o ódio, por ofender e difamar. Para que responda pela violência que ele estimula e que gera números de mortes assustadores.

É pelos meus filhos, pelas famílias, que não posso ficar calada.

Convido a todos que são a favor das famílias a se juntarem a nós para movermos um processo contra o candidato para que ele responda por seu crime de discriminação, preconceito e ódio.”

conversa de historiadoras

Como indicou a chamada da primeira página de O Globo do último domingo  – “Punir racismo não adianta” – a polêmica sobre a punição ao Grêmio e a sua jovem torcedora, em função de atos de racismo contra o goleiro Aranha, do Santos, há um mês, continua na ordem do dia. Na mesma noite, quando nosso post já estava praticamente pronto, declarações homofóbicas de um candidato a presidência da república em cadeia nacional colocaram a criminalização da homofobia novamente na pauta da campanha presidencial.

Parecem temas diferentes, mas não são. O racismo é um crime de ódio, a mesma base para a criminalização da homofobia, que já vem sendo adotada por muitos juízes no Brasil. Mesmo que a homofobia não esteja ainda oficialmente criminalizada, como o racismo, é do mesmo Mal que se trata.

Para reforçar a associação, reproduzimos aqui um pequeno texto de Laura Castro, filha de Hebe, atriz…

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