Ameaçada de morte por ser negra. Universitária do Pará teme sair de casa.


neguinhaEsse é um mal que, infelizmente, a gente ainda não conseguiu eliminar”. Sem nunca imaginar que em qualquer momento da vida poderia sofrer ameaças de morte em razão da cor de sua pele, o mal ao qual a universitária Sônia da Conceição de Abreu se refere é o mesmo que tem limitado sua locomoção na cidade onde mora, Altamira, desde a última quinta-feira. De dentro da universidade onde estuda e de seu próprio computador, a estudante foi vítima de racismo, crime ainda muito presente em todo o país.

Identificado pelo nome de “Branco White”, uma pessoa por trás do perfil de uma rede social deixou uma publicação na página de Sônia em que não apenas a ofende, como também a ameaça por ser negra. Direcionada à jovem de 27 anos e à toda a raça da qual faz parte, a publicação diz que ‘em Altamira não há lugar para negros’. “Eu estava acessando o meu notebook da universidade e quando eu abri, estava essa publicação na minha página e eu fiquei horrorizada”, lembra, ainda abalada com as palavras. “Como na universidade nunca haviam me discriminado por conta da minha cor, a gente começa a achar que esse tipo de coisa não existe mais, mas quando a gente se vê vítima, percebe que existe sim”.

Anunciando saber onde a universitária mora e trabalha, a postagem faz ameaças claras de morte e estupro à Sônia. Mesmo já tendo conseguido registrar uma ocorrência policial na manhã de ontem, a estudante não nega que está temerosa pela própria segurança. “Eu nunca imaginava que na minha vida eu pudesse passar por isso. Eu tenho medo de ir pra casa, ando na rua assustada, tenho medo de sair à noite. É inadmissível ter que se prevenir desse jeito com medo em decorrência da cor da sua pele”, faz questão de destacar. “Mas eu não vou desistir, vou continuar minha faculdade e encher o meu facebook com as fotos da minha formatura para provar que negro tem todo direito de se formar e ser um profissional competente”.

Sem que já tivesse enfrentado manifestações parecidas dentro do ambiente da universidade, Sônia não tem ideia de quem poderia ter cometido o crime. Maranhense, a universitária mora no Pará desde os oito anos de idade e deve concluir o curso de engenharia florestal pela Universidade Federal do Pará (UFPA) em janeiro do ano que vem.

CRIMES

Acompanhando o caso desde que tomaram conhecimento, a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) se pronunciou sobre o assunto. De acordo com a presidente da comissão de direitos humanos da OAB, Luanna Tomaz, os órgãos competentes já foram acionados sobre o caso. “Assim que nós recebemos a denúncia, encaminhamos para a reitoria da universidade, para a Secretaria de Segurança Pública, para o Ministério Público, conversamos com a Sônia e orientamos para que ela fizesse a ocorrência policial”, afirmou. “Hoje de manhã (ontem) já foi feito o inquérito policial”.

A presidente da comissão também destaca que a prática do agressor envolve vários crimes além do de racismo. “É muito importante conhecer que a discriminação racial pode gerar dois tipos de conduta. A injúria racial que é a ofensa indireta ao indivíduo e que tem uma pena mais branda que gera um TCO. Há também o crime de racismo que é quando se ofende toda a população, que é o que aconteceu lá também”, explica. “Ele diz que é um grupo que quer exterminar a população negra de Altamira, então além da injúria racial, tem o racismo, tem a ameaça porque ele diz que as mulheres negras têm que ser estupradas e mortas, há também o crime virtual já que ele acessou o computador dela, o facebook dela. Então nós queremos que todas essas condutas sejam apuradas, que isso não vire apenas um TCO de injúria”.

Além dos crimes já identificados, há uma grande preocupação dos órgãos fiscalizadores com a possibilidade de que haja um grupo de extermínio montado para cometer assassinatos e atentados contra pessoas negras. “Além de todas essas condutas criminosas, ainda pode ter também o cometimento de uma quadrilha, ou de uma organização criminosa, ou de um grupo de extermínio porque ele diz que a Sônia é o primeiro caso e que eles querem exterminar os negros de Altamira, então isso é uma coisa muito séria”, destaca Luanna.

fonte:Diário do Pará

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