Pelé nunca foi um negro de sua geração.


por Marcos Romão

Pelé diz que racismo deve ser ignorado.(Divulgação/Santos FC)

Pelé diz que racismo deve ser ignorado.(Divulgação/Santos FC)

A geração de Pelé é 10 anos mais velha que a minha.
Aprendi quando jovem, ao ouvir das mulheres e homens negras que eram 10 anos mais velhas que eu, que Pelé era uma incógnita, que parecia que não via o que os negros e negras de sua idade viam em volta, a ver, o racismo e o apartheid no Brasil.

Os negros e negras de sua idade não entendiam, como um negro que conquistou fama mundial, na mesma época em que surgiam lutas pelos direitos civis dos negros americanos, que ia jogar bola em países que lutavam contra o colonialismo racista europeu que dominava a África e podia ver o que se passava, ficasse calado sobre o racismo e o Apartheid no Brasil e no mundo..

Neste mesmo tempo em que Pelé diz que era todo o tempo xingado em campo e que se parasse o jogo não teria mais jogo nenhum, ele era ao mesmo tempo o maior garoto propaganda para a venda da imagem que o Brasil como um país da democracia racial. Pelé era a prova viva de que o racismo no Brasil não existia.

Fotos do Rei Pelé estavam afixadas nos salões de entradas de todos os as embaixadas e consulados brasileiros, ao lado de propaganda de café, fotos de Ipanema e de bahianas vendendo acarajé.

Ao som da bossa-nova cada estrangeiro que fosse pegar o visto, recebia a impressão que no Brasil, a harmonia entre as “raças” fluía como a cores pretas e brancas das curvas da calçada de Copacabana.

Pelé já sabia desde 1960 que haviam negros e negras paulistas que denunciavam o racismo brasileiro e que não aceitavam a discriminação e se organizam para combatê-la. Tenho relatos de vários ativistas que o procuraram e ele desconversava.
Pelé não era como os negros de sua época, nunca foi antes e nem agora.
Pelé como jogador vai continuar eternamente como o Rei da Bola.
Pelé. fica cada vez mais claro, fez a opção por seu caminho de vida há muito tempo.
Optou não só por não falar do racismo, como optou ser um reacionário que procura escondê-lo.
É só isto um reacionário, conservador e negro.

Afinal nós negros podemos ser o que quisermos e assumirmos as consequências pelas nossas escolhas. Só não podemos dizer que somos isto ou aquilo porque acompanhamos a onda. Como o disse a menina racista do Grêmio.

Como um famoso velho negro de 73 anos, ele sabe que cada uma de suas palavras tem um peso enorme. O peso de um veredito que ensina a toda uma juventude negra, que para se ter sucesso é preciso ser vaquinha de presépio, baixar a cabeça, ajoelhar-se e levar todo dia o tapinha elogioso de garoto negro em busca do sucesso.

Pelé, como fez sua opção, que carregue então o peso de ser um reacionário não solidário com o povo negro brasileiro e do mundo.

Como o racista velho, o velho negro que aceita o racismo não tem jeito, Pelé está em um caminho sem volta.

Nos preocupemos então,  com a educação e em salvar da morte as milhares de crianças e jovens negros, que são vítimas do racismo genocida brasileiro. Racismo que se alimenta desta filosofia perversa que o Reio Pelé tão bem representa: “Não estou nem aí. Não dou bola para o racismo”.

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2 pensamentos sobre “Pelé nunca foi um negro de sua geração.

  1. Pingback: Pelé’s latest downplay of racism updates his status as “house negro” – Message to “the King”: Please SHUT UP!! | Black Women of Brazil

  2. Pingback: elé’s latest downplay of racism updates his status as “house negro” – Message to “the King”: Please SHUT UP!! | Mamapress

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