Reflexões sobre o aniquilamento da cor negra nos debates eleitorais


olhos_vendados

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por marcos romão

É um problema mais que sério, cara Arísia Barros, que envolve o cerne da obliteração (esconder) da cor, em qualquer ação dentro da fase atual de implantação de políticas públicas para o negro no Brasil.
Desde 1982 por pressão e negociações do movimento negro que partidos, governos estaduais e municipais e à partir de 1985 o governo federal, passaram a adotar medidas pontuais, como as políticas públicas na área de educação com os CIEPs-Escolas Integrais e nomeação de secretários negros no governo Brizola(82-86), o reconhecimento do Memorial Zumbi pelo governo federal em 85( não me lembro se 85 ou 86), asim como medidas mais robustas, já a partir de 2003, ao abrir paulatinamente espaços nas universidade através das cotas e criação de conselhos e secretarias de governo para tratar da promoção da igualdade racial.
Praticamente todas estas medidas foram louváveis e permitiram a entrada de negros e negras em espaços nunca imagináveis e desta vez em grupos de meia dúzia, e não como antes, um negro sozinho como álibi para STFs brancuras rinsos.
Embutido nestas políticas públicas levada por partidos e governos, vinha o Cavalo-de-Tróia do racismo brasileiro, que tem como expressão máxima nas esquerdas clássicas e até radicais do Brasil. os seguintes mantras:

“Com a bolsa família, as cotas, o mais médicos, a minha casa minha vida e crédito acessívelpara todos e todas, os negros e as negras estão sendo promovidos, para que então falar de racismo? Para que levantar a lebre do racismo e da exclusão atávica?”

Exclusão atávica e incruada que nos torna invisíveis até nos partidos de esquerda. (Exceção depois de mortos quando viramos “heróis negros”)?

“Para que açular a raiva dos racistas falando de negro, falando de racismo. Vamos dourar a pílula falando de igualdade racial, que sabe lá São Advinho da Silva, o que significa esta tal de igualdade no Brasil.”

O lema dos últimos dez anos foi:

“Não vamos cutucar o leão do racismo com vara curta. Basta ir chegando e se assimilando devagarinho que vai tudo dar certo.”

Brincaram com a inteligência dos racistas, que não são cegos e veem pretos por tudo quando é lado. Espertos, os racistas, traçaram portanto estratégias para darem “valor” e uma “visibilidade enganosa” aos pretos e pretas.
Encheram as igrejas, encheram os centros sociais clientelistas de negros e negras. Engajaramos negros nas polícias, nos sétimos escalões de governos e lavaram as cabeças da negrada que agora vota de forma conservadora. Seja em quem for.

Me lembro há dois anos atrás quando numa conversa entre negros, alguém me apresentou e  disse para a roda em volta:

“Aqui está um verdadeiro militante negro. Aqui está um jurássico.”

Julgamento elogioso para neófito, mas que para bom entendedor significa, mantenham distância destes caras que insistem em falar do racismo. Pode até ser um bom ativista negro, mas não entende de política real.
Eu fico triste com tudo isto, pois esta proibição-lei, de se falar do racismo, levou a que muitos ativistas negros e antirracistas, que já estando dentro dos governos e participaram de todas estas mudanças, apagassem de seus currículos o seu passado de militante negro.

A frase da década foi, agora somos republicanos. Como se negro e republicanos fossem antônimos e negro não pudesse ser monarquista ou cesarista e se bom de dança até sambista.

Fico triste porque isto afastou boa parte dos cérebros negros da realidade atual dos negros e suas novas e diversas formas de vida reivindicações.

Lamento a política de avestruz que foi adotada nos últmos anos, ao tornar invisível e aceitável o genocídio dos jovens negros, a violência doméstica praticada por homens negros contra suas mulheres, as escolas de polícia que formam negros que odeiam negros, as seitas religiosas onde o negros e negras aprendem a se autoflagelar e as escolas públicas e particulares onde os fundamentalismos, intolerâncias e racismo continuam a serem práticas institucionais de violentação e exclusão da população negra. ( não falo aqui das populações indígenas, pois como iguais sei que eles também falam deste assunto por elas mesmas, e como nós não são ouvidas.)

Políticas públicas de atendimento de necessidades econômicas e sociais, que ofertadas sem que se falasse o porque eram dadas, que eram apenas o início de uma reparação aos séculos de discriminação e racismo, tornaram-se um bumerangue que hoje assusta como um fantasma a nação, ao vermos que a “massa negra sem cor” dos grotões, está piamentente conservadora e defensora dos esquadrões da morte e nas mão dos clientelistas avessos à qualquer avanço da democracia e politização cidadadão dos brasileiros.

 Lamento ver que muitos dos beneficiados pelas políticas públicas que o movimento negro exigiu e exige desde o final da escravidão, nem saber que são negros o sabem. 

Lamentável reconhecer, mas lavagem cerebral dos negros não é privilégio da ação política dos grupos conservadores.
Mesmo nos partidos progressistas somos uma grande ameaça, pois bastaria um 50% X  50%, “fifiti fiffiti”, como dizem os gringos, na distribuição dos mandatos com base na cor, que a “manteca” da economia colonial branca, ia virar “manteca” de cacau.

Se iria mudar alguma coisa eu não sei. Mas pelo menos a foto do conjunto de ministros atuais, não seria tão branca como a foto do ministério da Finlândia!

Mas e a reflexão sobre os e as candidatas proposta no título do artigo, me perguntariam? Ao que de pronto respondo com outra pergunta:

Porque os candidatos falariam da questão racial, se os negros e negras de seus partidos, perderam ou não exercem mais qualquer influência na deliberação das linhas e discursos de seus partidos?

Como os assuntos genocídio, racismo e exclusão do negro só estão nas ruas ralando em protestos que nem na imprensa sai, vamos ter que esperar como todo o movimento social brasileiro o faz desde julho de 2013, que as e os presidenciáveis baixem a bola e olhem para o que está acontecendo com o povo negro brasileiro, principalmente com os povos negros criança, adolescente e iniciando a vida adulta, quando tiveram a sorte de lá chegar.

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