Em nome do Estado:Rafael Braga, um negro prisioneiro político e de guerra


Marcos Romão

Rafael Braga algemado com correntes

Rafael Braga algemado com correntes

Ao contrariar peritos e especialistas em explosivos, a justificativa da confirmação da sentença dada pelo desembargador Carlos Eduardo Roboredo foi lapidar:

“O fato de tais engenhos não terem aptidão para funcionar como verdadeiros explosivos clássicos (‘coquetéis molotov’), por terem sido confeccionados em garrafas plásticas, ou seja, com mínima possibilidade da quebra que possibilitaria o espalhamento do seu conteúdo inflamável (cf. fls. 71 do laudo pericial) não inviabiliza, em caráter absoluto, a respectiva capacidade incendiária. Ora, sequer é preciso ser expert para concluir que uma garrafa, ainda que plástica, contendo substância inflamável (etanol) e com pavio em seu gargalo, possui aptidão incendiária ao ser acionada por chama”, disse o magistrado ao bater o martelo.

A Rede Rádio Mamaterra e o SOS Racismo Brasil consideram uma ignomia judicial o que fizeram com Rafael Braga Vieira-(Liberdade para Rafael Braga).

Foi um justiçamento legal e uma vingança do estado, que balançou com  derrubada pelas primeira vez pelo povo, do até então todo poderoso governo do Sérgio Cabral e o aparelho policial discriconário, que estava montando para reprimir os movimentos sociais e fazer seu sucessor virar governador, a ferro e fogo e UPPs.

Sobrou para o trabalhador negro, catador de papéis e restos de metais, sem os lobbies da classe média e das capas de revistas de domingo.

Rafael Braga foi preso e condenado por ser apenas Rafael Braga, um invisível,  que por azar estava indo dormir em um prédio velho, na hora em que a garotada da classe média branca carioca brincava de gato e rato com a polícia nas ruas do capitalismo, cheias de Tigres de Papel para serem incendiados.

A polícia do governador Cabral e seu MP precisavam de de um bode expiatório para justificarem tantos gastos com armamentos de guerra e bombas de gás obsoletas.

Rafael Braga Vieira estava no lugar certo e no momento certo, em que a máquina da justiça controlado pelo governador que caiu com o clamor das ruas precisava.

Por ser um prisoneiro sem pátria, Rafael Braga Vieira nem a ajuda da Cruz Vermelha pode receber. Isolado, visitas de apoio e até de advogados foram sempre dificultadas.

Cada dia que este cidadão humano ficar preso é uma chicotada na cidadania de todos nós.


Ao saber desta sentença o jovem poeta Yure Romão escreveu:

E a pena branca, que outrora “assinou/assassinou”a liberdade,
hoje mantém a condenação de Rafael.
A lembrança do chibata ainda arde, ainda sangra.
Ainda é a mesma mão que segura a pena branca, é a mesma mão que ordena o açoite.
Arde, sangra, dói.

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