Cínica e cruel, a neutralidade de Merval Pereira e o “efeito manada” na sucessão.


por Fernando China

Fernando China

Fernando China

A se tirar pelo o que é escrito na Coluna do jornalista Merval Pereira, no O Globo de hoje, 22/ago, sobre a pessoa de Marina Silva e a sua candidatura à presidência, pode-se imaginar o pânico que se instalou no comando da campanha do PSDB à presidência, a partir da divulgação da pesquisa do Data Folha. Segundo essa pesquisa, se a eleição fosse hoje Aécio Neves não iria para o segundo turno e, na simulação de segundo turno, Marina Silva, com 47% das intenções de votos, venceria a eleição, ficando Dilma com 43%.
Merval passa recibo desse estado de pânico ao afirmar, referindo-se a candidatura de Marina Silva, sua “incapacidade de organização demonstrada ao não obter o registro a tempo e hora de registrar-se  a eleição presidencial, o que só conseguiu graças à “providência divina””. Em seguida, tenta se mostrar imparcial, mas de fato desqualifica a candidatura de Dilma, indicando ter existido “um excesso de zelo provocado por interesses políticos dos tribunais eleitorais, notadamente o da região do ABC, área de influência de Lula, para barrar Marina logo na largada”. Mais a frente escreve: “ (…). “Mas se a Rede tivesse sido menos amadora no recolhimento de assinaturas e mais profissional nos cuidados jurídicos, não teria dado pretextos para a impugnação”.
Meus comentários:

(1) Merval tirou, propositalmente, o foco dos cartórios e o colocou nos tribunais, que não são a mesma coisa, pois, de fato, o “crime” se deu nos cartórios, onde os índices de rejeição das fichas apresentadas pelo partido Rede foram incompreensivelmente elevados (50%, 60% etc.), quando se sabe que não ocorreu o mesmo nível de rejeição, nos mesmos cartórios do ABC, por exemplo, com as fichas apresentadas pelo SOLIDARIEDADE, partido de Paulinho, da Força Sindical. Atribuir, como faz Merval, a suposto amadorismo do recolhimento das fichas a causa para esses elevadíssimos índices de rejeição, sem a indicação por parte dos cartórios de quais foram os motivos para essas rejeições, além de puro cinismo, chega a ser cruel e não tem nada de imparcial e

(2) Pior, Merval “esqueceu” de escrever na sua Coluna que em razão desse não fornecimento dos motivos dessas rejeições, por parte dos cartórios, é que Marina se viu impedida de entrar com os recursos e assim perdeu o prazo limite de registro do partido REDE.

Conclusão. É evidente que intenção de voto é uma coisa e voto na urna é outra. Contudo, o indisfarçável desespero da Coluna, como reflexo do comando tucano, decorre do pavor à formação do possível fenômeno, muito conhecido no meio político, do “efeito manada”. Como os meus amigos e amigas do FB são pessoas bem informadas, não há necessidade de explicar o estrago que o “efeito manada” gera nos apoios e acordos feitos pelas candidaturas antes de seu surgimento e consolidação. Isto é, a desconstrução desses apoios e acordos. As duas próximas rodadas de pesquisas poderão indicar se esse tsunami já está em andamento ou não. Aguardemos. Mas, o que já se pode verificar é que do ponto de vista da politicagem estão querendo abater a tiros o avião da Marina Silva. Quem observar verá!

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