EU NÃO VOU ROUBÁ-LO


Bem arrumado e elegante, cheiroso e todo style, desço do metrô, e pego a escada rolante que da acesso a praça Cinelândia. Alguns degraus acima, vai uma moça de tés clara, perfil de estudante universitária. Ao olhar pra trás e me ver, ela logo sentiu-se desconfortável, e segurou a bolsa.Fiz de conta que não percebi. Assim que a escada aproximou-se do seu objetivo final e, mal o degrau recolheu-se – ; a menina se antecipou e acelerou o passo. Foi-se a direita, na mesma direção da calçada do consulado; aonde eu estava indo buscar o visto. Ao me ver novamente, ela entrou em pânico -, e começou a correr desesperada pela calçada e pediu socorro a um homem que vinha do lado contrário.O homenzarrão a abraçou prontamente, no intuito de protege-la. Fechou a cara e veio ao meu encontro. Como na verdade ele viu que eu estava arrumado, pensou duas vezes. Foi o tempo de eu gritar, – que eu não ia roubá-lo, e não precisava rouba-la. Atônitos, passaram correndo os dois por mim. E logo foram socorridos por outros transeuntes.

Quanto a mim, só coube desabafar com um senhor que varria a frente de um comércio. E o medo que dali criassem uma turba e viessem os “justiceiros”. Talvez seja o momento de eu estampar uma camiseta para dar segurança as pessoas de bem com o slogan, ” EU NÃO VOU ROUBÁ-LO “.

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