Orixás são Super-Heróis em filme da Nigéria


por Valéria Fernandes Da Silva***

do original

Oya

Oya

Estamos cansados de assistir filmes com referências ao panteão grego e nórdico, afinal, divindades como Zeus, Atena, Odin, Thor, entre outros povoam nosso imaginário.   Presentes na cultura pop em geral, eles estão, também, na simbologia utilizada no comércio, nas artes, na academia, etc. Pois bem, o cinema nigueriano –  Nollywood, o terceiro maior pólo de produção do mundo – decidiu contar a história dos orixás no cinema.  Oya: Rise of the Orisha (Oya: A Ascensão dos Orishas) tem como subtítulo “A Nigerian Superhero Movie”, ou seja, a abordagem será a da cultura pop.  O filme já tem trailer, que vocês podem ver aí embaixo, página oficial e no Facebook, também.  Acredito que uma obra assim, merece ser assistida.  Agora, é esperar para ver como será o lançamento, mas é legal ver que um panteão africano vai chegar ao cinema em uma leitura pop.

Gosto de ver essas notícias sobre a Nigéria que saem daquela mesmice da guerra santa movida por grupos islâmicos radicais contra cristãos e muçulmanos não-alinhados.  Lembram da notícia das bonecas das rainhas africanas?  Pois é… É péssimo que não saibamos mais sobre o cinema nigeriano, que as produções não cheguem para nós no Brasil.  Agora, é fato que falar em orixás por aqui é falar de religiões que estão muito vivas, não que não existam pagãos e neo-pagãos que venerem o panteão grego e escandinavo, mas essas divindades européias foram domesticadas, digeridas e consideradas não ameaçadoras. Para a maioria, esses deuses estão mortos ou são obra da fantasia de culturas antigas. O que eu quero dizer com isso?  

Quando falamos de religiões afro no Brasil, mexemos no vespeiro da intolerância religiosa, da disputa territorial (*e econômica, de poder, e simbólica*) e do racismo.  Vocês sabem que sou protestante/evangélica e para a maioria dos freqüentadores de igreja, ao contrário dos deuses nórdicos e gregos, as divindades africanas são demônios e estão muito vivas.  Será que o brasileiro médio conseguiria assistir um filme sobre orixás como assiste ao filme do Thor, por exemplo?  Conseguiria imaginá-los como seres superpoderosos e fascinantes?  Realmente não sei… De resto, essa imagem belíssima de Oya aí embaixo não é do filme, mas de um ensaio fotográfico.  Achei por acaso e a série completa está aqui.  Orishas-by-Noire-3000-aka-James-C.-Lewis-Oya

E para quem quer saber quem é Oyá, segue a definição da wikipedia: “Na Mitologia Yoruba, o nome Oyá provém do rio de mesmo nome na Nigéria, onde seu culto é realizado, atualmente chamado de rio Níger. É uma divindade das águas como Oxum e Iemanjá, mas também é relacionada ao elemento ar, sendo uma das divindades que ao lado de Ayrá e Orixá Afefê controla os ventos. É conhecida também como Iansã.  Costuma ser reverenciada antes de Xangô, como o vento personificado que precede a tempestade. Assim como a Orixá Obá, Oyá também está relacionada ao culto dos mortos, onde recebeu de Xangô a incumbência de guiá-los a um dos nove céus de acordo com suas ações. Para assumir tal cargo recebeu do feiticeiro Oxóssi uma espécie de erukerê especial chamado de Eruexim com o qual estaria protegida dos Eguns. Oyá é a terceira deusa de temperamento mais agressivo, sendo que a primeira é Opará e Obá é a segunda. O nome Iansã trata-se de um título que Oyá recebeu de Xangô que faz referência ao entardecer. Iansã quer dizer A mãe do céu rosado ou A mãe do entardecer. Era como ele a chamava pois dizia que ela era radiante como o entardecer. Os africanos costumam saudá-la antes das tempestades pedindo a ela que apazigue Xangô o Orixá dos trovões, raios e tempestades pedindo clemência.”  Ou seja, o filme será protagonizado por uma enfezada divindade feminina.

Valéria Fernandes Da Silva***

eu
Nascida  no Rio de Janeiro capital, em 1976, morando em Brasília desde 2001.
Mora com o marido, também fã de anime e mangá, três gatos, duas gatas e um cachorro.
É professora de História, especializada em Idade Média.
Apaixonada por Shoujo, cinema, literatura e seriados britânicos.
Ex-redatora da Neo Tokyo e do Anime-Pró.
Protestante Batista. Torcedora do Fluminense. Feminista.
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2 pensamentos sobre “Orixás são Super-Heróis em filme da Nigéria

  1. Salve, realmente estamos cansados de ver as referências ao panteão grego e nórdico, sim , mas o que me preocupa é abordagem que vão dar já que orixás não são super-heróis. Orixás são deuses e não super-heróis. Vejo com muita reserva está coisa de transforma nossa ancestralidade e algo pop, como se precisássemos disto para realmente acreditar e fazer com que outros acreditem em nossa fé. Um bom exemplo são estas fotos que ilustram o post, ela reafirma em todos os seus pixels que somos um povo que transpira sexualidade, usando o mais batido discurso de que somos apenas sex maxchine. Então queridos do MAMAPRESS, aguardo a película para depois realmente me colocar, Se for bem feito, será muito interessante e pra ser bem feito tem que respeitar a ancestralidade e fugir do lugar comum do olhar eurocêntrico. Asè

  2. Eu escreveria algo se o Ludi Um já não tivesse dito tudo. Nem sempre boa vontade e iniciativa geram bons frutos, é preciso muito cuidado, respeito e estudo para uma construção bem feita e principalmente diálogo com os representantes e participantes da religião, onde quer que seja, pois esta história nos pertence, pertence aos nosso ancestrais e se apropriar dela é errado.

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