Rio Mavuba, francês da Copa 2014. um filho de refugiados que nasceu no mar.


Segundo noticiário do Jornal de Notícias de Moçambique:

“RIO Mavuba estreou-se no passado fim-de-semana no Mundial do Brasil, ao vestir a camisola da França contra as Honduras (3-0), mas nasceu… no mar.

Rio Mavuba e filho Thiago foto internet

Rio Mavuba e filho Thiago
foto internet

A história do médio do Lille começa quando os pais, a mãe de origem angolana e o pai congolês, fugiam à guerra civil em Angola, de barco, em direcção à Europa. Rio nasceu a 8 de Março de 1984, em pleno oceano Atlântico.

“O barco passou a costa de África e a Península Ibérica antes de chegar a Marselha [França], uns dias depois. Eu nasci na viagem e não tenho Estado. As pessoas riem quando vêem no meu passaporte que diz que nasci no mar”, refere o internacional de 30 anos, numa entrevista ao Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados (ACNUR).

Mavuba viveu como refugiado político em França até 2005, altura em que conseguiu a nacionalidade francesa.

E não teve vida fácil: a mãe morreu quando tinha dois anos e o pai passados outros dez. Foi então criado pela madrasta, juntamente com os seus… onze irmãos.
Começou no futebol nas camadas jovens do Girondins, de Bordéus, passou pelo Villarreal em 2007 e desde 2008 que se encontra no Lille.

 

Rio Mavuba

Rio Mavuba

A paixão pelo futebol puxou-a ao pai, Ricky Mavuba, internacional pelo Zaire (ex-República Democrática do Congo) no Mundial da Alemanha, em 1974.

Mas Rio não vive só para o futebol, tendo em 2009 fundado a associação Órfãos de Makala, um orfanato criado na terra natal do pai para ajudar as crianças mais necessitadas.

 

OPINIÃO

Rio Mavuba-foto da internet

Rio Mavuba-foto da internet

A história de Rio Mavuba, jogador sem pátria pela seleção francesa, revela um final feliz para um um ” Boat People Sem Papéis“, que nasceu no mar em um navio de refugiados a caminho de Marselha, na França.

Seu destino não é o mesmo dos mais de 50 milhões de refugiados ou deslocados pelo mundo afora, vítimas de conflitos internos e guerras civis, provocadas por interesses neocoloniais, racismo e intolerância religiosa entre outros motivos.

A maioria dos refugiados vagam pelos países que apenas os toleram ou permanecem em campos de refugiados semelhantes à campos de concentração, nas fronteiras de países em guerra. Contam em geral apenas com o apoio minguado da ONU e organizações humanitárias, cujos voluntários muitas vezes correm riscos de vida.

O recrudescimento do racismo na Europa, principalmente na França com o fantasma da família Le Pen, torna cada vez mais difícil a repetição de histórias de sucesso como estas. As copas de 2010 na África do Sul e 2014 nos revelam a existência de milhares de deslocados e refugiados internos nos dois países, provocados pelos projetos de construções faraônicas nas novas megalópolis, que adotam o padrão europeu de eliminação da pobreza, através da sua simples exclusão e expulsão para as periferias.

A guerra mundial dos ricos contra os pobres, tem na Fifa o seu cavalo de batalha e garoto propaganda. Os refugiados e deslocados nos dois países sedes, não estão incluídos nas estatísticas da ONU. É uma guerra invisível contra milhares de pessoas que poderiam ser iguais a  “Rios Mavuba, mas que são pessoas que desaparecem de nossas vistas e jamais vestirão a camisa dos selecionados para viverem uma vida digna em suas cidades.(Marcos Romão)

NOTA DA MAMAPRESS

Acnur registrou mais de 50 milhões de refugiados e deslocados no mundo em 2013.

Mais de 50 milhões de pessoas estavam deslocadas à força em 2013, o número mais elevado desde a Segunda Guerra Mundial, informa o Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados (Acnur), em relatório divulgado hoje (20) em Genebra.

Em entrevista, o alto comissário, Antônio Guterres, disse que havia 10,7 milhões de novos deslocados em 2013 e 2,5 milhões de novos refugiados, o que caracterizou como “aumento colossal”.

Segundo o relatório Acnur, Tendências Globais 2013, no fim do ano passado, o número de deslocados fora ou dentro dos seus países atingiu 51,2 milhões, entre eles 16,7 milhões de refugiados. Esse total representa um aumento de 6 milhões de pessoas deslocadas em relação aos 45,2 milhões de 2012, que incluíam 15,4 milhões de refugiados.

No Brasil segundo matéria do G1,” os números revelam que os pedidos de refúgio no país têm crescido exponencialmente ao longo dos anos. Em 2013, foram 5.256, ante 566 em 2010. As solicitações aceitas também aumentaram: de 126, em 2010, para 649 no ano passado,”

O representante do Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados (Acnur) no Brasil, Andrés Ramirez, concorda que o acirramento de conflitos, como a guerra civil na Síria, é fator fundamental para esse fluxo, mas ressalta também uma presença maior do Brasil no cenário internacional. “As solicitações aumentaram no mundo todo. Além das crises humanitárias antigas, como a do Iraque e a do Afeganistão, em 2011 houve a Primavera Árabe. Problemas na Costa do Marfim, no Mali, na Somália e no Sudão do Sul também foram registrados”, afirma.

O refúgio é um direito de estrangeiros garantido por uma convenção da Organização das Nações Unidas (ONU) de 1951 e ratificada por lei no Brasil em 1997. Segundo o Ministério da Justiça, o refúgio pode ser solicitado por “qualquer estrangeiro que possua fundado temor de perseguição por motivos de raça, religião, opinião pública, nacionalidade ou por pertencer a grupo social específico e também por aqueles que tenham sido obrigados a deixar seu país de origem devido a uma grave e generalizada violação de direitos humanos”. Com esse status, as pessoas passam a ter os mesmos direitos dos habitantes do país.

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