Apartheid no 13 de maio em Ipanema: Mulher negra é impedida de trabalhar em padaria e levada algemada para delegacia. “Gente assim não pode trabalhar aqui, reclamou a madame!”


por marcos romão

Já vimos denunciando há tempos em nossa página Sos Racismo Brasil, o aumento do racismo geográfico espacial nas grandes cidades, e no Rio de Janeiro em especial.  As grandes obras para a copa, além de provocarem o despejo em massa de milhares de negros e pobres das zonas nobres da cidade, tem como resultado a formação de guetos brancos do centro em direção à zona sul.  Assistimos nos últimos anos uma verdadeira limpeza étnica da cidade do Rio de Janeiro, como se o objetivo único fosse apresentar para os turistas um Rio de Janeiro branco e europeu, “FREE FROM BLACKS”, limpos de negros.aparthid em ipanema

Em reportagem de CLEO GUIMARÃES E ISABELA BASTOS, no blog Gente Boa, de 14 de maio, temos o relato da atriz Aparecida Petrowsky, que ao ir a uma padaria no coração de Ipanema na rua Joana Angélica, assistiu a uma cena dantesca de discriminação por parte de uma cliente contra a caixa da padaria, que era uma mulher negra e, em seguida à cenas de violência policial, quando um PM subjugou com violência a empregada uniformizada da padaria e a levou algemada para a delegacia, para que pedisse desculpas à madame-cliente, que reclamara do preço do café. Assistam o vídeo

Segundo a reportagem. “O desentendimento começou quando a cliente reclamou do preço do café, R$ 3. Ela pediu um “café normal”, e teria se sentido desrespeitada quando a funcionária retrucou, dizendo que na casa só tinha café expresso.

Logo depois, conta, “um policial desceu do carro e foi na direção da caixa, que, claro, ficou muito nervosa”. 

A atriz prossegue, dizendo que o PM teria mandado a caixa se levantar e pedir desculpas à cliente, no que ela se recusou. “Eu estou trabalhando! Não vou pedir desculpas nem sair daqui. Não vou!” Aparecida conta que, nesta hora, o policial anunciou: “É desacato à autoridade” e a pegou pelo braço, virando-o para trás, para algemá-la. 

“Nesta hora, ficou todo mundo assistindo a tudo como se fosse um filme. O gerente não fez nada”, conta. Minutos depois, já havia cerca de 50 pessoas na porta da padaria. Foi então que antigos clientes tomaram partido da funcionária. “Quero ir junto! Conheço ela há anos”, gritou, em vão, uma mulher. A caixa foi levada, sozinha e algemada, no carro. “

O que é que está acontecendo na zona sul do Rio de Janeiro? Linchamentos de menores, discriminações raciais em condomínios e agora uma mulher negra funcionária de uma padaria há 26 anos é presa e  impedida de trabalhar, porque, segundo depoimento da atriz Aparecida uma cliente aos berros disse: ” “É um absurdo deixarem trabalhar gente assim aqui!”

Vejam a reportagem completa com o vídeo do “flagrante” gravado  pela atriz Aparecida  Petrowsky, que graças aos céus teve a coragem de gravar e relatar esta violência. Clique aqui.

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13 pensamentos sobre “Apartheid no 13 de maio em Ipanema: Mulher negra é impedida de trabalhar em padaria e levada algemada para delegacia. “Gente assim não pode trabalhar aqui, reclamou a madame!”

  1. Não há dúvidas que no Brasil há forte preconceito econômico e “racial”. Mas o é absolutamente tendencioso o artigo desse Romão quanto a um “limpeza étnica” sistematizada no Rio de Janeiro. Uma vergonha o ocorrido com a menina funcionária da padaria e maior ainda a desinformação levada a termo pelo artigo em questão. Isso não é, seguramente, jornalismo.

    • “Desse” “Romão” caro leitor Henry Berson Gy, apesar de depreciativo, este tal de “Romão” conhece profundamente a história da “limpeza étnica e eugênica, iniciada por Pereira Passos e levada ao seu final desde 1961 até 2014, pelos prefeitos da cidade do Rio de Janeiro.
      Estude um pouco mais e saberá que o artigo do Sociólogo e Jornalista Marcos Romão, é “pinto”, até recatado, perto do da eugenização e da limpeza étnica que aconteceu de fato no entorno da Lagoa Rodrigo de Freitas.
      Quanto ao “esse” Romão, guardarei, nos meus compêndios de melhoria do racismo aqui no Brasil. Até agora só falaram entre os dentes, “esse neguinho. Reconheço uma melhoria ao me chamarem pelo nome e escreverem.

  2. acho que a cor aqui não tem nada a ver, se a funcionária fosse verde teria acontecido a mesma coisa. Invenção de enfiar racismo em tudo o q acontece. ridículo!

    • Cara Milena, me apresente um caso destes, que tenha acontecido com uma trabalhadora verde ou amarela e retiro tudo que escrevi.
      Não existe nenhuma necessidade de se “enfiar” racismo em tudo. Lamentavelmente o racismo está explodindo em todos o bueiros de Ipanema. Só que agora se denuncia.

      • Diferença de tratamento e abuso de autoridade frente a uma aparente diferença social? Basta procurar em qualquer jornal. Diariamente isso acontece com pessoas de todas as etnias. Mas ainda que no mundo inteiro isso nunca tivesse ocorrido, ainda assim, não significaria que o caso em questão foi movido por racismo. Aliás, apesar do abuso (que houve, de fato), não há qualquer indício de racismo no ocorrido. Nada foi citado ou sequer sugerido. Mas se não há racismo no vídeo, não há racismo na matéria original e não há racismo no depoimento da funcionária, onde está o racismo então? Simples, na mente do autor. Que ‘recheou’ o texto de termos como ‘apartheid’, ‘racismo’, ‘limpeza étnica’, etc.

        Agora veja o perigo destes tipo de texto: Quem leu a chamada e não teve a curiosidade de ir até a fonte e LER TUDO, vai sair bradando aos 4 ventos sobre ‘o racismo acontecido na padaria de Ipanema.”

        A propósito: O policial que prende a funcionária ‘por racismo’ também é negro. Mas isso, o autor não quis citar.

  3. Pingback: Black female bakery cashier arrested over a dispute with a customer involving a $1.36 cup of coffee! | Black Women of Brazil

  4. …É por essas e outras que me pego justificando aqui e ali, que afirmações de racismo as vezes existente e vergonhosa que seja a incidência, vale também por COLAGENS FAKE as mais diversas … Neste caso propriamente dito possa ser racismo de verdade, MAIS AINDA DA PARTE DO POLICIAL QUE DA PARTE DA MADAME PREPOTENTE… Mas o pior de tudo: TENHO A CERTEZA QUE O POLICIAL NEM É BRANCO 100%………
    Porém, todavia, contudo, observei também, em POST faceanos, de amigos de amigos (afros) que insistiam em dizer que NO BRASIL EXISTIA ELEVADOR DE SERVIÇO E SOCIAL PARA SEPARAR EMPREGADOS (GERALMENTE NEGROS) DO SOCIAL (GERALMENTE BRANCOS)…..hehehe!
    Me chamaram de fascista branco nojento e hipócrita por ter dito que em meu edifício, o ELEVADOR DE SERVIÇO SERVIA PARA TODOS QUE ESTAVAM DE SACOLAS DE COMPRAS E/OU QUE VINHAM COM TRAJES DE BANHO (PRAIA, ETC)….. E QUE: os Negros (como eles falavam), empregados ou não, utilizavam o ELEVADOR SOCIAL sim!!!!!!!!!!!!
    CONCLUSÃO: racismo existe? sim….. MAS QUANDO NAO EXISTE? existe também……

    obrigado

  5. Pingback: CLIPPING ESPECIAL – DAS LUTAS 4 | Das Lutas

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