Eu não desculpo. O Terror no Dops de Niterói.


por marcos romão

“É por não termos destruído o arcabouço do sistema da repressão é que temos hoje os Amarildo, e por isso que temos hoje uma política de segurança, que quer retomar a Lei de Segurança Nacional, por isso temos assassinatos…. O que passei passam  hoje, neste momento, se pudéssemos ter uma visão, mulheres como eu, meninas como eu fui, mortas e com seus corpos ocultados. Isto vai continuar a acontecer se simplesmente o Brasil pedir desculpas a nós. Eu não desculpo.”(Rosalina)

 

Rosalina, ex-presa política

Rosalina, ex-presa política

Rosalina, ex-presa política, irmã do estudante da UFF, Fernando Santa Cruz, desaparecido aos 26 anos de idade em 1974, foi torturada brutalmente no DOPS de Niterói, para onde foi trazida do DOi-Code do Rio, algemada e pisada em um barco, depois de embarca na Marina de Botafogo em frente à banhistas que testemunharam atrocidades em plena luz do sol.
Ela esteve no dia 26.03 na Faculdade de Educação da UFF, auditório Florestan Fernandes, participando atividade da homenagem à Fernando Santa Cruz! 40 anos sem Fernando!
Pela primeira vez ela falou em público do ocorrido com ela no Dops de Niterói, diante de uma platéia atenta de mais de 400 jovens com a idade que Fernando Santa Cruz tinha ao desaparecer fazem 40 anos nos porões da ditadura..
Cobrou a necessidade da instalação de uma Comissão da Verdade na Universidade Federal Fluminense, para que venha à tona finalmente a verdade sobres funcionários e estudantes que colaboraram com o regime de terror, ao entregarem informações que facilitaram a perseguição, prisão, tortura, morte e desaparecimento de tantas pessoas na cidade de Niterói.
Rosalina nos fala que junto com ela foram presos 4 camponeses de Cachoeira de Macacu. Um foi morto e os outros três cumpriram pena em Brasília. Todos perderam suas terras, e não se sabe mais deles nem de suas famílias. Segundo Rosalina, a anistia e as indenizações vieram para as pessoas que pertecima à sua classe ou para os que tinham acesso à seus direitos. Milhares de pobres, negros e sem acesso às organizações de esquerda, perderam suas terras e vidas e até hoje são esquecidos e nada receberam, é preciso localizá-los e ajudar suas famílias.
Se hoje existem Cláudias Ferreiras, Amarildos de Souzas e tanta tortura e desaparecimentos, é porque o aparato de repressão não foi desmontado.”
Menos opressores…mais lutadores!
Lindo ver esse auditório faltando espaço para tanta gente que quer conhecer a verdade sobre o obscuro período ditatorial no Brasil! Parabéns ao DCE que agora tem o nome DCE Fernando Santa Cruz!
Nós que vivemos este período de terror e medo agradecemos a todos estes jovens da UFF que mantém a nossa memória!

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