O massacre de Sharpeville é a memória do Dia Internacional pela Eliminação da Discriminação Racial


por marcos romão

Mulheres lembram massacre de Sharpeville

O Massacre de Sharpeville foi perpetrado  em 21 de março de 1960, pelas forças racistas do regime durante a era Apartheid na África do Sul .

5 a 7 mil pessoas marchavam contra a obrigatoriedade das crianças falarem o língua “Afrikander”nas escolas e a lei do passe, algo como a nossa carteira de trabalho no Brasil, que nossa polícia e justiça sempre pede aos negros que abordam.

Neste período na África do Sul, as pessoas só podiam circular nos bairros que lhes eram permitidos segunda sua cor. Frequentar somente as escolas que lhe eram abertas. Além de só poderem ir nas igrejas, supermercados e banheiros segundo a cor que constasse nos seus “passaporte individuais de utilização dentro do país”.

Durante os protesto de jovens escolares, 69 crianças foram mortas à bala de fuzil, a maioria com tiros dados pelas costas, no que ficou conhecido como o Massacre de Sharpeville. 180 ficaram gravemente feridas. Era a segregação total.

Temos vivido nas cidades brasileiras o aumento da segregação racial, provocada por um desenvolvimento urbano voltado para as elites. As populações pobres e negras têm sido empurradas para as periferias. Os serviços públicos para estas áreas tem se resumido a paliativas incursões e ocupações repressivas por forças policiais.
Os mesmos fuzis de Sharpeville tem sido os principais meios de conter a população jovem que não se comporta neste quadro. Nesta semana no mês da mulher, a forças repressivas e racistas, ultrapassaram a fronteira de todos os código morais, mesmo entre os racistas: Passaram a matar mães que cuidam e protegem seus filhos para que não sejam vítimas do racismo e da violência que a segregação racial e isolamento em territórios provocam.

Claudia Silva FerreiraO tiro no peito dado em Cláudia Ferreira Soares e o linchamento feito através do “arrastão” por um camburão à 60 Km/h, de seu corpo ferido, pelo asfalto fervente da cidade do Rio de Janeiro, quebrou todos os tabus morais do Estado Racista Brasileiro e arrisca a jogar por terra, décadas de ações educacionais antirracistas que temos feito com nossas crianças negras.

Pela primeira vez na minha vida não tenho como explicar para um jovem como isto pode acontecer e porque a reação governamental é tão tímida, quando não cínica, mas principalmente porque o povo brasileiro aceita e não se levanta contra esta barbárie racista perpetrada contra o povo negro brasileiro e, incentivada pelos meios de comunicação que aplaudem linchamentos e, estimulam a violência policial cometida todos os dias, e que por sorte ou azar agora foi filmada e, a morta tem um corpo e um nome, ao contrário de Amarildo, do qual só sabemos o nome de um corpo desaparecido..

No Brasil temos escolas públicas e privadas. Se nas escolas privadas de excelência a segregação racial é evidente para qualquer observador, seria através da melhora do sistema de ensino público que os governos municipais, estaduais e federal do Brasil, poderiam dar um exemplo de transformação, para que nossas crianças saiam de um  sistema tácito de segregação racial e social que ocorre no Brasil, que define as possibilidades ou impossibilidades futuras de empregos e convivência multirracial para todas as nossas crianças brasileiras.

Caminhando pelas ruas das cidades do Brasil, no horário de entrada e saída das escolas, é escandaloso se ver, que nas escolas particulares mais privilegiadas só transitam crianças brancas. Já nas saídas das escolas públicas a maioria são crianças negras.

Temos a LEI No 10.639, DE 9 DE JANEIRO DE 2003. que não está sendo aplicada nem pelo ensino público tanto menos pelo ensino privado. A recusa de se aplicar o ensino dos sistemas de visões de mundo indígenas e africanas que formam o povo brasileiro, é uma das grandes barreiras a serem superadas para se melhor combater o racismo no Brasil.

Melhorar o ensino das escolas públicas, pagar melhor os professores é um dos principais caminhos para que nossas crianças brancas e negras se juntem e vivam juntas enquanto ainda podem. Do contrário teremos em 20 anos um Brasil como era a África do Sul em 1960, quando aconteceu o massacre de Sharpeville.

Mas qualquer mudança no sistema educacional para eliminar a discriminação racial, por mais positiva que seja, será enxugar gelo, enquanto os governos estaduais e a justiça brasileira continuarem a aplicar políticas de segurança e de justiça segregacionistas.

Não dá para falar para um jovem aluno que temos igualdade constitucional, quando ele chega na sala de aula completamente estressado, devido ao baculejo e tapa na cara que ele ou sua mãe acabaram de levar  do representante fardado do governador. Governador que antes dele nascer, já o considerava um inimigo.

Massacre de Sharpeville-13 de março 1960

Massacre de Sharpeville-13 de março 1960

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Um pensamento sobre “O massacre de Sharpeville é a memória do Dia Internacional pela Eliminação da Discriminação Racial

  1. O CRIME DE SHARPEVILLE

    *lembrar para jamais repetir ou imitar*

    H 54 anos, ocorreu o massacre de 69 jovens e a vitimao de mais de 200 feridos, no bairro negro de Sharpeville, na cidade de Johannesburgo, na frica do Sul, pelo regime segregacionista do apartheid. Os jovens negros haviam ido s ruas, pacificamente, para reivindicar a extino da *Lei do Passe*, que os obrigava a portar cartes de identificao com o registro dos locais por onde lhes era permitido circular.

    O crime, praticado em 21 de maro de 1960, ficou conhecido como *O Massacre de Sharpeville*. Para que a data no fosse esquecida a Organizao das Naes Unidas (ONU) instituiu o *Dia Internacional de Luta pela Eliminao da Discriminao Racial*. um chamamento para o mundo lembrar e refletir, para jamais repetir ou imitar.

    Nesse mesmo sentido, a Assembleia Geral da ONU aprovou, por consenso e com empenho do Governo Brasileiro, a instituio da dcada dos povos afrodescendentes, que durar de primeiro de janeiro de 2015 at 31 de dezembro de 2024. O objetivo buscar reconhecimento, justia, desenvolvimento e aumentar a conscientizao das sociedades no combate ao preconceito, intolerncia, xenofobia e ao racismo. O sucesso dessa iniciativa est diretamente ligado ao compromisso do Estado em implementar polticas pblicas para superao das desigualdades de natureza racial, bem como exigncia por parte das organizaes da sociedade civil de implementao dessas polticas.

    Nesse sentido, as aes afirmativas cumprem papel preponderante e imprescindvel. A implementao do *Estatuto da Igualdade Racial (lei 12288)*, o reconhecimento e a titulao das terras ocupadas por remanescentes de quilombos, as garantias legais aos cultos de matriz africana e o tratamento igual aos demais cultos religiosos, bem como o combate sem trguas intolerncia religiosa devem ser temas prioritrios na dcada. uma oportunidade mpar para avanos nas polticas pblicas de igualdade de oportunidades, a fim de se eliminar o imenso abismo que separa a grande maioria dos afrodescendentes do acesso aos bens econmicos e culturais. Sobretudo, o momento de reconhecimento da inestimvel contribuio dos povos africanos e dos seus descendentes para a humanidade e o desenvolvimento contemporneo.

    Entre os desafios do perodo, est o enfrentamento das causas que fomentam os ataques identidade de descendentes de africanos. O racismo e a desigualdade do o perfil dominante das mortes violentas no pas, que vitimam, em sua maioria, jovens negros e pobres, segundo estudos sobre violncia urbana da Organizao das Naes Unidas para a Educao, a Cincia e a Cultura (Unesco). a mesma essncia que motivou o assassinato dos jovens sul-africanos em 1960.

    A luta daqueles meninos e meninas de Shaperville, de Nelson Mandela, de Martin Luther King, de Joo Cndido, conhecido como “Almirante Negro”, e de tantos e tantas combatentes, so sementes que tm germinado intensamente nos sonhos por um mundo sem racismo. essa conscincia que guiar a dcada que se iniciar.

    Eloi Ferreira de Araujo foi Ministro da Igualdade Racial no Governo do Presidente Lula

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