Vinícius Romão, ou quando é que o crioulo dança?


por marcos romão

A Mamapress/Sos Racismo, ou outros grupos antirracistas devem ir em socorro de quem não tem consciência racial e nem de que está sendo discriminado?

Minha resposta pessoal é por princípio sim.

Se alguém se afoga na água pulo atrás, não me interessa se a pessoa deseja morrer.

foto montagem a partir do facebook

foto montagem a partir do facebook

Vamos a este caso exemplar do Vinícus Romão.

Sábado, dia 22.02,

No final da noite, Francisco Chaves, branco, jornalista colaborador da Mamapress/Sos Racismo atual e apoiador na maioria dos casos de racismo que atuei desde 1972, me ligou P da vida, pois acabara de tomar conhecimento através de seu filho, que Vinícius Romão seu vizinho que conhecia desde criança,  estava preso fazia um tempo e apesar do esforço dos amigos, seu pai Jair
Romão não queria divulgação do fato pois havia sido orientado a não “enrolar” mais ainda mais a vida do filho, que estava sendo processado, mas caso inocente a justiça
seria feita…Assim disse a polícia e que ele o pai deveria tirar uma carteirinha para visitar o filho que lhe telefonara no dia seguinte depois de preso.

Conversando ao telefone com o Marcelo Chaves, filho e meu amigo, vi o seu desespero, por não saber o que fazer com a posição a seu ver “temerosa” e “receosa” do pai Jair Romão que lembro não é meu parente.

Francisco Chaves, para saberem, atua em foto jornalismo investigativo e acompanhou o nosso amigo comum,Tim Lopes durante anos, já havia me passado que suspeitava que o tal “detetive’ que prendera o Vinícius era o mesmo que atuava nas horas vagas na segurança de lojas e prédios da área.

Juntando as coisas nesta troca de telefonemas e sabendo que o pai era coronel reformado do exército, como do exército são muitas famílias da vizinhança.  Vimos que ao ser identificado, “o tal negão”, o policial viu que  o Vinícius era filho de militar Isto ajudou o rapaz negro a escapar de algo que poderia ter sido muito pior.

Como o perfil traçado do rapaz resumia-se ao que me disseram ser uma pessoa desligada, que gostava de caminhar com seu” walkman” no ouvido ao voltar do trabalho, depois das 10 da noite pelas ruas do Meyer.
Juntei o dele ao perfil das dezenas de garotos negros da classe média que tem dançado  feito patinhos na lagoa no país, que tomei conhecimento nos dois últimos anos em que voltei ao Brasil. Foram casos atendidos por nós e que por receio das famílias não foram divulgados apesar de resolvidos.
Chegamos às 11:30 de sábado– depois de troca de conversa entre Francisco Chaves, Marcelo Chaves e agregado à discussão oadvogado da CIR-OAB, Tito Mineiro— Resolvemos os 4 botar a boca no trombone utilizando todos os contatos que tivéssemos, pois o risco que o rapaz corria  de mofar na prisão era imenso e nem ele nem seu pai sabiam da gravidade, e só no transcorrer deste processo todos nós poderemos saber, talvez, tudo o que está por trás deste caso.

Considerado um caso de alto risco, seus amigos(do Vinícius) resolveram passar por cima dos “receios”  da família e começaram a falar oficialmente como “grupo de amigos do ViníciusRomão”.

Algumas horas depois o caso  atingiu a grande imprensa.

Boa parte do que escrevi aqui, Muitos de vocês já leram os resultados desta ação de centenas de milhares de pessoas pelo Brasil e mundo afora, que culminou na liberdade provisória do Vinícius, e os detalhes das internas policiais vocês provavelmente lerão no futuro. Pois as pessoas da vizinhança estão revelando o que sabem.

Em tempo: O Vinícius foi libertado graças à pressão da mobilização nas redes sociais. No Alvará de Soltura, não consta a retratação da testemunha, que só aconteceu depois.

Em resumo eu diria, quer ajudar alguém? Procure conhecê-lo. Quer ajudar o povo negro brasileiro?
Jogue fora o ideal do colonizador do negro “bom” e do negro “mau” pois isto é neoracismo.  Pois estamos diante de um sistema racista feito para prender e aprisionar negros e pobres quase negros, quando não os matam antes.

São ações que talvez ajudem a descolonizar a mentalidade salvacionista e idealista branca pintada de preta que muito negro tem, que não é a predominante, mas  noto que está ganhando força entre a classe média do Movimento Negro, que distante da realidade em que vivem os seus filhos, parece que esqueceram que a relação entre jovens negros e a polícia está igualzinha a quando éramos jovens, “vacilou, dançou”.

Como é que nossos garotos vão enfrentar o racismo se nós mesmos não os ensinarmos, que eles vivem em um sistema racista que não é cor de rosa Ipod, e que se não acordarem vão dançar feio?

Muita gente ao ver as entrevistas que ele está dando para a rede Globo, se pergunta, como é que o Vinícius e seu pai não estão vendo ou falando do racismo que finalmente todo o Brasil viu?

Não me espanto, no meu trabalho conheço tantos Vinícius Romãos, uns dentro e outros fora das prisões.

Aşé para todos, acabo de ganhar mais um parente, que nem me conhece, mas sei que como todos os meus garotos quer é viver a felicidade!

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