SOS Racismo: “Passar a mão na cabeça do discriminado o ajuda?”


por marcos romão

RACISMO, PASSAR A MÃO NA CABEÇA DO DISCRIMINADO O AJUDA?
surpresa-racismoParece que cada vez que a gente passa a mão na cabeça do negro que aceita a discriminação fica pior.
Racismo feito estupro é crime público, não precisa a vítima fazer BO. Qualquer Cidadã ou Cidadão pode denunciar. E o MP investigar;
O Caso Tinga agora é público, caiu na rede e agora ele está nas mãos da Globo, prestando um desserviço a toda a luta contra o racismo, com seus depoimentos que a cada dia ficam pior.
Sou da opinião, que ele tinha era que tirar os óculos cor de rosa e falar com o juiz para parar o jogo.
Desde hoje de manhã quando escutei o Tinga na Globo, guardei este texto, que tinha dúvidas se iria publicar, para não correr o risco de ofender ninguém pessoalmente, mas ao ler tanta solidariedade ao Tinga que mais camufla que expõe e ataca a peçonha do racismo no Brasil, vejo o poder de destruição que a defesa da omissão coletiva na hora que acontece o racismo pode causar.
Claro que todos nós já engolimos sapos e não reagimos na hora certa, não é para atirar a primeira pedra, mas também não é para continuarmos fazendo a apologia do botar a viola no saco.
Aí vai o texto pra Tinga que me vejo obrigado a publicar, para eu também não botar a viola no saco, espero que chegue até ele:
“Alô amigos de Minas Gerais, tem alguém por aí que tem acesso pessoal ao jogador Tinga?
O cara caiu nas mãos da Globo e está falando um monte de besteiras sobre relações raciais para a população brasileira.
De discriminado sem consciência dos seus direitos trabalhistas, pois deveria ter parado de jogar já na primeira ofensa de racistas feita por uma parte dos torcedores do estádio peruano (diga-se de passagem não são os pobres indígenas que tem acesso aos estádios), ao invés disso aceitou a humilhação e agora serve de Pai João para a Globo ao dizer que os racistas nos estádios são ignorantes.
Não os racistas nos estádios não são ignorantes, os racistas nos estádios fazem parte de uma classe média neocolonial que em toda a América Latina imita o que há de pior na Europa e odeia negros e indígenas.
Tinga, se você por desconhecimento, não aprendeu ainda a respeitar os negros do Brasil, respeite ao menos seus filhos, que precisam escutar a verdade de que o racismo é brutal e que eles precisam aprender a se defender, antes que seja tarde como aconteceu com você.
Procure alguém do movimento negro aí em Minas, um pastor, um pai de santo, um padre, um psicólogo ou um outro jogador negro, alguém que você confie. Pare de deixar brancos racistas da Globo botarem palavras em sua boca.
Falo isto como um pai negro e com o maior respeito e amor que tenho por todos os brasileiros discriminados.
Um amor que se transforma em ira, quando vejo um irmão destruindo a si mesmo, em nosso nome, em nome de nossa cor e da luta contra o racismo.
Se dê um tempo, reflita antes de falar. Silencie quando necessário. E na dúvida procure conselhos para se orientar.
Não entendo de futebol, mas como pessoal humana, vejo com este episódio, que este é o jogo de sua vida. Ser um homem negro inteiro, ou uma pessoa condenada a viver pela metade o resto da vida.”
#marcosromaoreflexoes

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Um pensamento sobre “SOS Racismo: “Passar a mão na cabeça do discriminado o ajuda?”

  1. Mais um texto maravilhoso Marcos Romão, este é o caminho, cada vez que um discriminado reagir a favor da causa de todos , acabaremos com este cancer!!! Perdeu a oportunidade de parar um jogo e falar em nome da humanidade. Não o culpo, o pior lado do racismo é a doença assimilada de séculos de opressão, é como mulheres que se calam diante da violencia doméstica, é o trauma coletivo, o medo de apanhar. Exatamente aí a raiz do problema que passou por diversas gerações de negros deste país e do mundo, apanharam tanto, que diante da brutalidade verbal, já não reagem. São poucos os que estão sãos e conscientes, a maioria se acostumou a calar, a se resignar, a aceitar e chorar baixinho. Este é o maior crime da humanidade, aquele que te mata por dentro, mata milhares por gerações, mata a força interna, aumenta a dor da alma com correntes invisíveis, que são mais fortes que as de ferro. Precisamos curar gerações e gerações das correntes invisiveis, as únicas que não nos deixam reagir. È preciso trabalhar em cima da auto-estima, do positivo, do belo, do que temos de bom.

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