PARENTES GUAJAJARA ENFRENTAM A FRENTE MADEIREIRA E APREENDEM CAMINHÕES NA TERRA INDÍGENA ARARIBOIA


Matéria da Resistêcia Indígena por Luar Sateré MawéOs Tentehar/Guajajara da aldeia Mucura resolveram enfrentar a frente madeireira, que há muitos anos vem explorando o território e assassinando parentes, cansados de esperar que as autoridades competentes agissem com eficácia no combate à exploração madeireira ilegal.

As lideranças dos parentes Guajajara da aldeia Mucura, localizada na Terra Indígena Arariboia, sudoeste do estado do Maranhão, apreenderam na última quinta-feira, dia 7 de fevereiro, dois caminhões e um jerico que retiravam madeira ilegal da área indígena. Os indígenas aguardam a presença de representantes da Funai e da Polícia Federal para retirar os veículos do seu território.

O clima na aldeia é tenso, cerca de 100 madeireiros ameaçam invadir a aldeia. Os indígenas temem que aconteça a invasão, uma vez que tais ameaças e práticas já ocorreram na Arariboia, bem como em outras terras indígenas do Maranhão.Luar Sateré Mawé

A prática de invasões madeireiras nas terras indígenas no Maranhão tem sido uma constante e esbarra na falta de fiscalização permanente por parte dos órgãos responsáveis, em especial, a Secretaria de Meio Ambiente do Estado (SEMA). As serrarias da cidade de Amarante não são fiscalizadas, beneficiando o trato das toneladas de madeiras ilegais, oriundas das Terras Indígenas Arariboia e Governador.

Os parentes já comunicaram o fato à Funai e estão aguardando respostas. Esperando que as providências sejam tomadas, o mais breve possível, no sentido se evitar uma invasão à aldeia, bem como que outras violências sejam cometidas contra a comunidade. A luta dos Tentehar/Guajajara pela preservação de seu território é árdua, mas as lideranças indígenas destacam que não vão continuar resistindo.

Na Arariboia o histórico remonta assassinato e confrontos. Em 2007, os madeireiros invadiram a aldeia Lagoa Comprida e assassinaram Tomé Guajajara. Em 2008, os madeireiros invadiram essa mesma aldeia para retirar um caminhão que tinha sido apreendido pelos parentes. Na ocasião, houve troca de tiros e parte da floresta foi incendiada pelos madeireiros.

Os Awá-Guajá, que vivem em situação de isolamento, habitam as terras da Arariboia. Vivem fugindo da frente madeireira, que a cada ano avança mais sobre o seu território, destruindo locais de caça e coleta, deixando os parentes sem condições de viverem em paz. Em 2011, os madeireiros colocaram fogo em um acampamento dos Awá-Guajá sem contato e derrubaram as árvores em que os parentes coletavam mel.

Em janeiro deste ano, cerca de 20 homens armados invadiram a base montada pelo povo Ka’apor para proteger o território das invasões. Esses homens humilharam o grupo, agrediram os parentes, ameaçaram matar lideranças e levaram o “jerico” que tinha sido apreendido pelos Ka’apor.

E a palavra de ordem é RESISTÊNCIA!!!

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