Aldeia Maracanã de Hamburgo será recomprada pelo Senado.


A Aldeia Maracanã de Hamburgo será comprada de volta pela Senado de Hamburgo que é o governo da cidade.
Quem vive nas grandes cidades brasileiras, principalmente nas zonas ou bairros que estão enobrecendo, pode entender muito bem o que está acontecendo em Hamburgo no momento.
Milhares de manifestantes, polícia, gás lacrimogênio, porrada, prisões de jornalistas e manifestantes pode-se ver nas redes sociais de todo mundo através do youtube.

Florária Vermelha-Rote Flora

Florária Vermelha-Rote Flora

O que todos achavam muito difícil está cada vez mais fácil de entender que é o alemão ea filosofia da globalização…
O “enobrecimento” das cidades ou na sua origem inglesa gentrificação, de Gentleman, também acontece na Alemanha e lá eles também protestam contra as expulsões e remoções da pessoas e culturas populares locais.
A Rote Flora, ou Florária Vermelha é a Aldeia Maracanã dos tratados como índios de lá. É o prédio da resistência cultural da cidade da gentrifugação expulsória, que como a atual aqui no Rio de Janeiro começou nos anos 70.

Nos anos 80 os sem-teto de Hamburgo ocuparam as casas vazias reservadas pela especulação imobiliária. Em 1989 A Rote Flora foi reconhecida pela prefeitura como Casa Ocupada, e se transformou em um dos maiores centros culturais de resistência da cidade de Hamburgo.
A área da Florária Vermelha, que era do estado, foi vendida a um investidor que prometeu renová-la e preservar a s atividades culturais lá existentes. Promessas ao vento, pois os investimentos na renovação não vieram e proprietário a  vendeu para especuladores imobiliários da Bavária.

A guerra recomeçou e a região foi declarada pela polícia como zona de perigo ou proibida, que permite à polícia parar, revistar e prender qualquer pessoa considerada suspeita que circule pelos bairro de Shanze e San Pauli, os focos dos “vândalos” de lá. Claro que com isto a polícia aproveitou para parar negros e turcos jovens e como no Rio enfiar a porrada.Rote Flora porrada
Gentrifugação ou enobrecimento das cidades é um fenômemo global e a solidariedade também, até por que a firmas internacionais que renovaram o porto de Hamburgo, são as mesmas que investem no Rio de Janeiro. Até a Fan Fest é coisa inventada por alemão de Hamburgo que pegou de graça o know-how de nós brasileiros que vivíamos por lá e começamos a assistir com a maior barulhada aos jogos nos botecos portugueses. Em 2006 pelo menos a polícia de Hamburgo foi mais esperta que os neocoloizados lacaios da Fifa daqui do Brasil e liberaram geral. Foi um sucesso, pois os canas da delegacia perto do Quilombo Brasil, sede da Rádio Mamaterra, vinham todos assistir aos jogos no boteco do Antônio, que sempre que meu amigo Ras Adauto vem de Berlim, toma uma bagaceira original, como era antigamente nos botecos do Curral de Vaca.
Em resumo quando falo de Hamburgo daqui de Niterói, não sei mais onde é a minha casa e qual é a minha cidade. Quando atravesso a ponte penso estar no Porto de Hamburgo.

rodando na Grossbergstrasse

rodando na Grossbergstrasse em Hamburgo 2006

A Fifa é a ponta do iceberg, mas o buraco é muito mais embaixo. A gentrificação,o enobrecimento da grandes zonas nas megalópolis mundiais, é um planejado sistema de estabelecimento de cordões sanitários, por onde circularão de Londres à Paris passando por Togo, Rio de Janeiro e Bahia os abastados do mundo e verão as mesmas griffes e os mesmos shoppings. Para as populações locais que antes lá viviam, restarão os ônibus BVT que os transportarão em determinados horários para os centros reservados aos ricos, e lá poderão trabalhar como serviçais ou artistas de shows exóticos.aldeia-maracanã-zéweb

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