Uma guerra particular da marinha com os quilombolas de Rio dos Macacos: “hoje estou com farda, mas amanhã vou estar sem farda, onde encontrar vocês, vou estourar suas cabeças”.


por marcos romão

Rosemeire dos Santos- Quilombola de Rio dos Macacos-BA

Rosemeire dos Santos- Quilombola de Rio dos Macacos-BA

Em vídeo postado no Youtube pelo grupo  “Território Africano TV”, nós da Mamapress mais uma vez tomamos conhecimento de violações dos direitos humanos cometidos por graduados da Marinha Brasileira da da 2ª Base Naval de Aratu.

Pelos relatos de Ednei dos Santos que foi preso e amarrado com fios, levou socos e chutes, e segundo suas palavras foi jogado como porco na caminhonete, pelos sentinelas da marinha que montam guarda na única entrada para o Quilombo de Rio dos Macacos. Estamos diante de uma situação que vai além de um episódio isolado de violência.

Evidencia-se pela sistemática com que acontecem as arbitrariedades, ameaças e violências contra os quilombolas de Rio dos Macacos, a existência de uma ordem silenciosa de vencê-los pelo cansaço e ao arrepio das leis e completamente em contradição com as reuniões oficiais a Marinha com os governos da Bahia e de Brasília. Segundo Rosemeire, “fazem reuniões onde tomam cafezinhos e falam sobre nós, mas não cuidam de dar proteção às nossas vidas e à nossa segurança”

A quilombola Rosemeire dos Santos, de Rio dos Macacos, amarrada e jogada na boleia da caminhonete do Marinha, denuncia: “apanhei o tempo todo da guarida até a base da marinha, um sentou-se meu pescoço com as partes dele em meu rosto e outro sentou-se entre as minhas partes. E aí eu fui tomando tapa daqui até lá, né? Teve um momento em que eu num vi mais nada”.

O sargento Gonzaga falou que qualquer momento em que ele encontrasse a gente ele estourava nossas cabeças. Ele disse, “hoje estou sem farda, mas amanhã vou estar sem farda, onde encontrar vocês, vou estourar suas cabeças”. Tem uns 4 anos que a gente faz estas denúncias  até ao governo federal, e eles pedem provas, e eles continuam aí.

Ednei Messias dos Santos, irmão de Rosimeire, que também foi preso na operação arbitrária, informa que participaram da ação, o sargento Melquisedeque, o sargento Bueno, o sargento Gonzaga e mais o sargento Josué “que ficou ameaçando as crianças que foram lá para a base atrás da gente”.

No dia seguinte em reunião com o comando da base, ao ser tocado no assunto, o almirante se ofereceu para visitá-los e apertar a mão dos quilombolas. Constrangidos se recusaram.

O vídeo testemunho:

Publicado em 11/01/2014

No dia 06 de janeiro de 2014 oficiais da Marinha cometeram crimes de agressão, estupro e tentativa de homicídio contra membros da Comunidade Quilombola Rio dos Macacos. Acontecimentos que marcaram a prisão arbitrária e violenta de Rosemeire dos Santos e Ednei Messias dos Santos. As autoridades brasileiras são coniventes com os constantes atos de violência. Ao longo da história existem informações de outros estupros e assassinatos contra os quilombolas da comunidade.

saiba mais http://www.igualdaderacial.ba.gov.br/2014/01/sepromi-se-reune-com-marinha-e-orgaos-federais-para-discutir-situacao-em-rio-dos-macacos/

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4 pensamentos sobre “Uma guerra particular da marinha com os quilombolas de Rio dos Macacos: “hoje estou com farda, mas amanhã vou estar sem farda, onde encontrar vocês, vou estourar suas cabeças”.

  1. Pingback: Para os que vivem acusando o governo e nunca reproduzem as providências tomadas | Maria Frô

    • A Mamapress, não ataca nem defende governo coo a página mariaafro.com insinua e nos ataca em seu comentário. A Mamapress apenas reproduziu o relato filmado do depoimento da vítima. Lá Meire relata:
      “A quilombola Rosemeire dos Santos, de Rio dos Macacos, amarrada e jogada na boleia da caminhonete do Marinha, denuncia: “apanhei o tempo todo da guarida até a base da marinha, um sentou-se meu pescoço com as partes dele em meu rosto e outro sentou-se entre as minhas partes. E aí eu fui tomando tapa daqui até lá, né? Teve um momento em que eu num vi mais nada”.
      Sugiro que a página Maria Frô veja com atenção a denúncia das sevícias sexuais que a vítima sofre até desacordar.
      Não somos advogados, nem policiais, nem denunciantes de outros veículos de imprensa que se atém a dar voz aos que não tem vozes. Cabe ao MP a investigação da denúncia que em todas as letras fala de um ataque sexual. Se foi estupro ou tentativa de estupro, ou agressão sexual. Cabe à vítima dizer e não funcionários anônimos do governo, seja que governo for.
      Uma retratação pela acusação à Mamapress feito pelos articulistas seria bem-vinda. Pois consideramos que o importante neste caso é que venham à luz todos os detalhes da agressão feita à mulher quilombola e que seja feita justiça.
      Marcos Romão editor da Mamapress e não MamaPress, como escreveram os articulistas afoitos.

  2. Pingback: Quilombo Rio dos Macacos: versões | Áfricas - Notícia minuto a minuto

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