Apesar dos distúrbios brancos. Povos Indígenas sabem o que querem da Aldeia Maracanã.


por marcos romão

Cacique Aniceto

Cacique Aniceto

Meninos eu vi. Foi um dos encontros mais emocionantes de minha vida. Estar junto no hotel Novo Mundo por algumas horas, com tantas lideranças indígenas do país, que viajaram dias e horas, para representando mais uma centena de povos, dizerem ao Governo do Rio de Janeiro o que querem fazer com o Antigo Museu do Índio, a Aldeia Maracanã.

Marcos Terena veio de Brasília, o cacique Aniceto Xavante, reconhecido como uma das grandes lideranças indígenas mundiais, participou com suas sábias palavras para ajudar na construção do que virá a ser a futura Base Indígena nas terras do Rio de Janeiro, uma capital internacional e ainda por cima me ensinou depois de sessenta anos de idade que “Niterói” em sua língua significa -MINHA TERRA-  pois como os portugueses não entendiam os indígenas, “Iterô”* , MINHA TERRA, virou Niterói.

O neto de Raoni, viajou dois dias para trazer gravada a mensagem de seu avô, congraçando os povos indígenas a aproveitarem a oportunidade de retomarem o antigo Museu do Índio e transformá-lo na embaixada de todos os povos indígenas do Brasil, assim como várias lideranças vieram de todo o Brasil,  trazendo assinaturas que representam em seu conjunto quase 90 povos indígenas brasileiros, e estão abertos a que venham mais, assim que tomarem conhecimento da retomada da Aldeia Maracanã.

Segundo as palavras de uma liderança, eles vieram para acabar com os cassetetes e gás de pimenta contra seu povo representado no Rio de Janeiro.

Já eram 3 horas da tarde e os trabalhos finais  já estavam sendo encaminhados e elaborada uma minuta final, que depois seria encaminhada aos povos indígenas do país para a sua aprovação final, quando os presentes foram surpreendidos pela entrada agressiva de um grupo com uns 20 brancos pintados de índios que os acusavam de traidores e vendidos, que tumultuou com os trabalhos.

Foram 10 minutos de tensão naquela pequena sala de conferências do hotel, em que homens indígenas de mais de 70 anos de idade e mulheres indígenas mães e avós foram objetos de todo tipo de impropérios. O que mais temi foi a possibilidade de uma reação por parte dos 15 a 20 guerreiros jovens, o que poderia transformar aquele encontro histórico para o Brasil em uma catástrofe.

Mas mesmo sendo um homem negro de 60 anos, não passo de uma pessoa com o pensamento branco e que não entendo nada de indígenas. A reação daqueles homens e mulheres que estão nesta terra deles antes de pensarmos que havia este mundo, foi uma lição que carregarei para o resto da vida.

As palavras do Cacique Aniceto resumiram bem o que aprendia. Eles sabiam para o que vieram. Vieram para negociar a retomada do que é deles. Esta certeza da razão era a força que eles utilizavam.

Álvaro Tucano acalmou parte da platéia de brancos, que lá chegou os xingando de traidores e de vendidos, dizendo que ele já conhece de muito tempo as guerras dos brancos e,  que está no Rio para com a união de seus povos  trazer um exemplo e paz para uma cidade confusa.

O Xavante Pirakumam (Peixe Grande) disse em forte palavras para a toda a sociedade brasileira: “Que ele veio representando 16 povos do Xingu para ajudar a acabar com esta guerra. Que no Xingu não tem televisão, mas que quando ele vai na cidade ele vê a policia batendo nas pessoas indígenas e jogando pimenta. Por isso ele e todas as lideranças indígenas vieram, pois querem acabar com este sofrimento e brigas entre o povo desta cidade e os índios.

O Xavante Pirakumam disse que veio ajudar seus parentes indígenas, mas que veio também ajudar aos brancos a se entenderem. Todos estes acontecimentos foram para mim, bonito e brabo.

A calma e espírito de paz das lideranças indígenas ofuscava a incompreensão e arrogância de alguns brancos, que queriam lhes dar lições sobre como enfrentar uma sociedade que os aniquila há 513 anos.

Purikamam afirmou: O Museu do Índio não foi demolido, pois nele estão os espíritos de nossos ancestrais.”

Aniceto Xavante, umas das maiores lideranças vivas dos povos indígenas do Brasil, disse: “Eu rodo o país para ajudar meus parentes, que tem problemas com os governo municipais, estaduais e federal e o donos de terra. Não vim aqui para perder tempo. Vim para ajudar todos os Povos Indígenas a terem um lugar que possamos dizer que é nosso e que possamos desenvolver nossos projetos para a união indígena. Contamos com a ajuda de todos.”

Peço a todos que virem este vídeo, que reflitam sobre as relações entre povos e pessoas humanas que temos vivido no Brasil atualmente.

Pois os que criticavam os povos indígenas,  foram acolhidos e  ouvidos as e chamados a contribuir…
foi a maior lição de humildade sabedoria e força que já vi!!! ou vivi!!!

*Iterô foi o som que escutei

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2 pensamentos sobre “Apesar dos distúrbios brancos. Povos Indígenas sabem o que querem da Aldeia Maracanã.

  1. engraçado é que o Xavante Pirakumam fala da importancia de ouvir todos os indígenas, e do problema da violencia desse governo de milicianos do Sérgio Alvares Cabral e sua lacaia Adriana Rattes. os defensores dessa corja esquecem sempre de dizer que os índios querem se ouvir, o Estado é quem quer passar o rodo. VIOLENTO É O ESTADO, os indígenas que resisstem querem cobnstruir um projeto que seja assegurado pela FUNAI e pelo governo federal, e não pelo governo colonizador da FIFA/CABRAL.

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