“Em busca da Batida Perfeita”, uma análise antes do encontro dia 4.11, de 800 negros em negras em Brasília.


Por Reginaldo Bispo
Ás vésperas do III Conapir, tenho a satisfação de colocar-lhes à mão, temática debatida por centenas de milhares por todo o Brasil, em palestras, debates, seminários, conferências, encontros e congressos do MN, á mais de 50 anos. Um texto construído por centenas de mãos, recuperado e organizado por um pequeno grupo de militantes históricos, que seguindo a máxima “Um povo que não conhece a sua historia e sua cultura, jamais será um povo livre”, e que se negam a ignorar e jogar no lixo, esses debates, deliberações e acúmulos, que compõem um referencial histórico contemporâneo, desde os anos 1930, com a FNB, especialmente a partir dos anos 1970, com o renascimento de um MN, de esquerda, internacionalista (o MNU, o IPCN), sobretudo com uma consciência da necessidade da Unidade, Autonomia e Independência da Organização do nosso povo, para lutar contra o Racismo e por um Projeto Politico de Nação Plurirracial e Multicultural, que contemple os negros, os indígenas e todos aqueles que foram marginalizados do projeto instaurado pela monarquia, e depois da republica – em beneficio exclusivamente dos herdeiros dos escravocratas e eurodescendentes, ignorando os demais seguimentos até os dias de hoje.

Trazemos outra perspectiva que não a oficial, a governamental, a dos negros de partidos, limitados pelos programas, táticas e estratégias dos mesmos, que tornaram-se petistas, pedetistas, psolistas, psdbistas, prbistas, ptbistas, psbistas, pcdobistas, pstuistas, e outros, antes de serem NEGROS. Conveniências que além das dificuldades criadas á nossa luta, tem criado serio antagonismo a unidade de negras e negros para conquistar a verdadeira igualdade racial, senão á migalhas e a manutenção do segregacionismo racista das elites brancas brasileiras, das instituições e na mídia.

A sangria em vidas com o extermínio de nossos filhos, sobrinhos e netos e o genocídio dos povos negros e indígenas, praticado sob a conivência do e dos governos estaduais e central do Brasil, é o maior exemplo da insensibilidade das instituições e dos políticos, e porque não dizer da militância negra partidária e governista.

A garantia da aplicação da legislação conquistada pelo MN e povos originários, na constituinte, garantida na constituição do reconhecimento, demarcação e titulação de seus territórios quilombolas e indígenas, dificultada pela direita parlamentar, pelos latifundiários e pelo agronegócio, apoiados pelo governo, tem sido responsável pela insegurança, violência e genocídio no campo. O desconhecimento e a insensibilidade, inclusive da “militância” negra, com dessa realidade, tem sido a razão do atraso na solução dessa realidade e tem perpetuado o infortúnio do nosso povo excluído nos rincões do Brasil.

Enquanto isso, os empresários, políticos, magistrados e altos funcionários, legislam e exercem suas funções, em beneficio próprio, com ganhos muitas vezes superiores ao de qualquer executivo das nações ricas, como EUA, Alemanha, França, Japão e Inglaterra. Enriquecem se apropriando do patrimônio publico, e atribuindo-se vantagens que nada lembram um estado republicano e uma democracia. Enquanto mantém a maioria do povo na miséria e na ignorância, com a violência da pobreza, e da repressão dos aparatos policial e militar, para disciplinar e manter o povo alienado, perpetuando assim o poder das minorias endinheiradas e com prestigio politico.

Só para observar o quanto é grande a mentira e o engodo: Se o governo tem 25 milhões de famílias cadastradas no bolsa família, o que equivaleria a 100 milhões de pessoas. Como teriam retirado da pobreza 30 milhões de brasileiros e alçado outros 30 milhões á classe média. Puro marketing eleitoral com o que se satisfazem os individualistas e a militância partidária.

Por favor leiam, discutam, modifiquem, ampliem, apropriem-se, repasse e compartilhe. Adote e defenda essas idéias nos fóruns que participar. Não adianta levantar milhares de reivindicações especificas, como tem acontecido nos Conapir i e II, pois elas não serão, como não foram resolvidas desde a constituição de 1988 á II Conapir. A experiencia e o bom senso aconselha que priorizemos nas negociações as questões fundamentais mais justas e que contemplem a maioria. Com o acumulo de organização e forças chegaremos ás demais. O contrario, com dezenas, centenas e milhares de demandas, permitimos que o governo e a sociedade elitista e racista, manobrem com nossos direitos, deixando de atendê-los ou atendendo as menos importantes, á conta gotas, como tem sido, nos mantendo reféns de seus projetos ao longo de décadas e seculos. Cpns, 01/011/2013 – Fraterno e grande abraço a todos. Reginaldo Bispo-MNU de Lutas, Autônomo e Independente.

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Um pensamento sobre ““Em busca da Batida Perfeita”, uma análise antes do encontro dia 4.11, de 800 negros em negras em Brasília.

  1. A INTERNALIZAÇÃO DESTA VERDADE É FUNDAMENTAL PARA A DEFESA DOS DIREITOS CONQUISTADOS E PARA A CONQUISTA DE QUAISQUER OUTROS:
    …”A experiencia e o bom senso aconselha que priorizemos nas negociações as questões fundamentais mais justas e que contemplem a maioria. Com o acumulo de organização e forças chegaremos ás demais. “. Parabéns Reginaldo Bispo pelas propostas sintetizadas nesta documento para discussões!

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