Museu do Índio volta para os Indígenas. Vamos preparar o cachimbo, mas não vamos acender agora, afirma Carlos Tukano.


por marcos romão e aldeia maracanã no facebook

EXTRA EXTRA
Depois de tres meses da desocupação violenta da Aldeia Maracanã no antigo Museu do Índio, foi a primeira vez que ao falar com o Cacique Carlos Tukano, o vi sorrir e confiante.

Me disse: “Sabe, Romão, toda aquela violência nos chocou muito. As crianças, as mulheres, nenhum de nós, estava preparado para viver uma situação daquelas. Bombas de gás lacrimogêneo, crianças chorando, nós e as mulhere gritando e zanzando sem saber prá onde correr.  Até hoje espirro quando sinto cheiro de pimenta, fiquei algumas semanas com pigarro. O Rio de Janeiro e o Brasil não podem se esquecer que nós fomos as primeiras vítimas da Copa”, continuou Tukano, com uma alegria de momento que deixava transparecer o trauma recente, que ele os representantes dos Povos Indígenas que lá viveram nos útimos 8 anos, sofreram.

” Mas nunca perdemos as esperanças e toda a solidariedade que recebemos dos “carioca” nos ajudou muito. Viemos para Curupaiti, com o coração apertado, mas de cabeças erqguidas, não nos entregamos. Só não tivemos força para enfrentar tamanho poderio que jogaram contra a gente”. ” E as difamações?” Prosseguiu o Cacique, “disseram que éramos maconheiros, que éramos medingos e uns garotos de fora que disseram que tinham vindo ajudar, não compreenderam a gente e falaram até que não éramos índios traidores, porque não enfrentamos a polícia. Que que a gente podia fazer?”

Quando lhe perguntei porque acha que agora as coisas mudaram, Carlos Tucano com seu sorriso de sábio que já viveu muitas batalhas pelos direito de seu povo, respondeu :” Acho que foi o vento das ruas pelo Brasil afora.”

“Olha, desde o primeiro momento que chegamos lá no Museu, nós dissemos que queríamos um ponto de referência, para os povos indígenas do Brasil aqui no Rio de Janeiro, um lugar em que tivéssemso independência para reativar e divulgar nossa cultura. O museu é o lugar ideal, sempre foi da gente, das nossas culturas, acho que agora estamos chegando lá.”.

Nós não desistimos e  fundamos aqui em Jacarepágua a Aldeia Tamoio e continuamos conversando com o governo, com movimento social apoiando a gente, o Quilombo do Sacopã, todo mundo. Fomos na Secretaria de Cultura, no IPHAN, na defensoria pública, só não falamos com o Papa, não paramos, nunca perdemos nossa esperança. Quando vimos toda estas demontrações nas ruas nasceu de novo  nossas esperanças.”

Carlso Tukano finaliza: ” Neste momento estamos em negociações avançadas como os setores do governo. ´Claro que o movimento nas ruas, ajudou bastante. Não estamos mais sózinhos. Vamos preparar nosso cachimbo, quando tivermos o papel assinado na mão e depois de muita conversa com nossos irmãos que estavam lá na Aldeia Maracanã. Quando a gente ver as obras começarem, aí sim vamos acender nosso cachimbo da paz. Como vocês “carioca”  falam, ainda não vamos acender agora. Vamos esperar.”

aldeia maracanã -cultura

NOTA OFICIAL DA ALDEIA MARACANÃ( faCEBOOK)

ANTIGO MUSEU DO ÍNDIO VOLTA AOS INDÍGENAS QUE LÁ ESTAVAM

VEJA NA ÍNTEGRA O COMUNICADO OFICIAL DA SECRETARIA DE CULTURA

Nesta terça-feira, dia 30 de julho, estiveram reunidos líderes indígenas, membros da Fundação Darcy Ribeiro, representantes da sociedade civil e a equipe da Secretaria de Estado de Cultura do Rio de Janeiro para avançar na discussão sobre o projeto de implantação de um Centro Estadual de Estudos e Difusão da Cultura Indígena.

Na reunião, ficou definido que, por parte do Governo do Rio de Janeiro, o órgão responsável pelo projeto seria a Secretaria de Cultura.

Adriana Rattes, Secretária de Cultura, propôs que o Centro seja criado como uma Instituição Pública Estadual, e que de sua estrutura futura faça parte um Conselho permanente formado por representantes do movimento Instituto Tamoyo/Aldeia Maracanã, assim como índios de outras etnias que se interessarem em participar e entidades e pessoas da sociedade civil ligadas à causa indígena.

A secretária acenou ainda com a disposição do governo em considerar a instalação deste Centro no prédio do antigo Museu do Índio, no Maracanã, como era o desejo do movimento. As moradias para os indígenas continuarão a ser planejadas para Jacarepaguá ou para algum outro local que seja encontrado de comum acordo entre o governo e o grupo.

A Secretária solicitou, ainda, que os presentes – representantes de diversas etnias, como Afonso Apurinã, CarlosTukano, Garapirá Pataxó, Marize Guarani, Iracema Pankararu – mobilizassem lideranças de outras etnias para participar das próximas reuniões e contribuir para uma construção coletiva dos fundamentos do projeto.

Os objetivos principais do Centro serão os de promover, preservar e difundir, a história, os valores, os conhecimentos e todos os aspectos culturais dos indígenas brasileiros, com foco especial nos grupos que vivem ou viveram nas diversas regiões do Estado do Rio de Janeiro. O Centro será ainda um ponto de formação, referência e apoio para os índios contemporâneos, diante dos desafios e das transformações culturais por que passam as diversas etnias em suas vivências nas aldeias e também no espaço urbano.

A Secretária convidou todos os presentes (e pediu que convidassem as demais lideranças indígenas) para uma reunião na próxima terça, dia 6 de agosto, a fim de se avançar com as decisões que deverão embasar a elaboração do projeto, tais como nome, estrutura, cronograma e modelo de gestão do futuro Centro Estadual de Estudos e Promoção da Cultura Indígena.

Um pensamento sobre “Museu do Índio volta para os Indígenas. Vamos preparar o cachimbo, mas não vamos acender agora, afirma Carlos Tukano.

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