O Estatuto da Igualdade Racial corre o risco de ser mais uma Lei que não pegou. Para Estatais, não existem consumidores negros no Brasil.


por Washington Lúcio Andrade e Marcos Romão
imprensa_negraMarcos Romão
São 15 anos que a Rede de mídia Étnica Mamaterra, organizada por brasileiros na Alemanha, Suécia e Suiça, participa online da Rede de Mídia Étnica Brasileira, que apesasar de não ser alternativa, é a única alternativa, para que a sociedade brasileira tome conhecimento dos fatos positivos e negativos, do olhar e da expressão cultural, econômica, religiosa e política protagonizadas pelo próprios negros do Brasil.

Cobrimos através de Blogs, redes sociais, Tambores Cibernéticos em Vídeos e Rádios Webs e páginas regulares e diárias, como a Afropress e Àfricas, praticamente tudo que se passa nas vida dos negros no Estado Brasileiro e na Dispersão Africana pelo mundo afora.

Sejam cotas, sejam juízes conservadores racistas no Maranhão ou seja a luta pelo Estatuto da Igualdade Racial, não é raro o fato, de que “pautamos” pela insistência,  as notícias sobre o que acontece com os negros,  que são publicadas no dia seguinte, pelos jornalões e grandes redes de televisão, com os temas e denúncias que publicamos, tendo como fontes, as nossas redes de contatos e listas, via internete  por todo o Brasil. Somos uma Rede Nacional, invisível para o poder. Poder que entretanto, nos monitora diligentemente.

Não é raro, é mesmo frequente, a grande imprensa nos telefonar, para saber, o que está acontecendo “de verdade” , do Oiapoque ao Chuí. Somos produtores de notícias confiáveis, pois nossas fontes  são a primeira mão. Estamos no meio e vivemos a notícia do mundo negro brasileiro. Somos só cento e poucos milhões negros e negras, que se relacionam e sabem como vivem os outros milhões de brasileiros e brasileiras.

Fazem dois  anos, que a Rede Mamaterra “remigrou” sua central para o Brasil, mais precisamente para Niterói, de onde emite o seu blog de opinião, “Mamapress.org” ,sua Rádio Mamaterra via Hamburgo. e o “Face” QuiGeral, diretamentame do Quilombo do Sacopã no Rio de Janeiro. Berlim e Estocolmo produzem suas próprias matérias e  replicam o que fazemos, via Radio Saci e Radio Made in Brazil.

Globalizamos O Outro Brasil com dinheiro de nossos bolsos vazios. É a notícia dos anos que se repetem.

Perguntamos a nossos parceiros, como funcionam, os financiamentos da Mídia voltada para divulgar a vida e os clamores negros no Brasil. Obtivemos como resposta, a simples e terrível evidência e notícia racista, que não existimos.

Não existimos para o governo brasileiro, nós, população negra brasileira, não existimos na “rubrica de ordenamento de despesas de propaganda oficial”, que agora chamam de “briefing”, asssim como não chegamos às verbas de financiamento da agências propaganda, repassadoras de verbas para a imprensa brasileira.

Bolsa família, Televisores, Minha Casa Minha Vida, Geladeiras, PACs e Pasta de dentes compradas pela Bolsa Família, não fazem parte do universo de público negro, que tenha importância ser divulgado e mediado pela Imprensa Negra. É o fato, a evidência e a notícia, que lamentavelmente temos que publicar em 2013. Como nós vemos o Brasil, não interessa a ninguém. Mas nós vemos, e como!

O sonho de Monteiro Lobato de no futuro chegarmos a um Brasil sem negros, publicado em seu livro, “O Presidente Negro”,  realiza-se 125 anos depois da Abolição, com incentivo estatal através da falta de incentivo para a nossa mídia.

A visão da população que mais sofre os impactos do projeto atual de desenvolvimento, parece não interessar ao Estado Brasileiro. Tanto faz,  que mostremos parte da população que está em dúvidas, no meio  de uma pacificação, quanto quando mostramos alguém, que recebe as chaves de sua casa, nos fala que gostaria de ser perguntado antes, para que lado fica o banheiro, são opiniões que não contam. Estamos dando, aceitem se quiser, Cremos que o Estado Brasileiro não deseja  se tornar em uma grande Princesa Isabel. E o que propomos?

Ao não cumprir o Estatuto da Igualdade Racial em 2013, o Estado  Brasileiro, segue a mema linha eugênica e racista perpetrada pelo Estado à partir do início do século XX. Não deixar que opinem, que manifestem suas culturas diversidades étnicas através de uma imprensa negra forte, é uma forma de “ÉTNOMIDIACÍDIO”. É muito difícil para um povo se amar, quando ele não se vê.

Nossa imprensa negra tem sido o único porta-voz dos clamores negros nacionais nos útlimos 125 anos, Gilma Luiz de Carvalho escreveu sobre isto e todos podem ter acesso ao texto GILMAR_LUIZ_DE_CARVALHO. Mamapress recomenda aos gestores públicos que o leiam e busquem uma nova orientação em seus investimentos de propaganda. Recomenda que parem de dar tiros nos pés do Brasil, ao reforçarem uma visão racista de nossa mídia brasileira. Pois para quem retorna ou vem pela primeira vez ao Brasil, é um verdadeiro “choque cultural”, abrir um jornal ou ligar um televisor e ver mais brancos do que em qualquer canal ou rede de notícias européia.

Reblogamos para insistir o grito de denúncia de nosso parceiro, diretor do Áfricas, Washington Lúcio Andrade

Foto-5-Wash-28maio08-No Brasil temos uma terrível percepção sobre algumas leis que não funcionam e assim o dito popular fala que são “leis que não pegam”. O Estatuto de Igualdade Racial no que diz respeito à mídia, vai ser mais uma?

Tendo como principio básico o respeito aos nossos mais de 750 mil internautas/mês, e querendo prestar cada vez mais um serviço de qualidade, destacamos a ausência de políticas públicas para a mídia e alertamos para uma situação de possível fechamento de alguns meios de comunicação como já tivemos em um passado não muito distante, além da situação dos que se mantém sem estrutura e não tem como investir na qualidade.

As mídias alternativas sobrevivem por conta própria e, na maioria das vezes, são elas que mais atingem o público alvo, sendo que as demais, contam com apoio dos Governos, mesmo divulgando de vez em quando as ações e nem sempre atingindo o publico focado.

Nosso objetivo é contribuir para modificar profundamente esta realidade, podendo, assim, ajudar a todos os nossos meios de comunicação alternativos a prestarem cada vez melhor um serviço profissional e de qualidade.

Agora vamos mostrar algumas formas de atendimento, que as agências de publicidades tem como padrão, sempre com o mesmo resultado: a discriminação.

Como fazemos todos os anos, mapeamos as propagandas publicitárias atuais e localizamos as agências responsáveis, entramos em contato com algumas da iniciativa privada, mas o que é trágico é o que acontece com as que tem as contas do Governo federal.

Escolhemos apenas duas empresas que prestam serviços a Bancos governamentais para ilustrar. Quero destacar que entramos em contato com várias outras ligadas aos ministérios também. Não vamos citar nomes, porque o que acontece é geral e o objetivo não é desmascarar ou humilhar ninguém, mas mostrar a realidade do que passamos no dia a dia com todas agências.

Uma das agências, nos respondeu que, no momento, não teria nenhuma campanha disponível e quando tivesse faria contato. Essa tem sido a resposta padrão nos últimos anos, ou seja: sempre. Detalhe: é só ligar a TV, abrir o Jornal ou mesmo entrar em alguns sites e ver uma nova campanha dos bancos federais, quase que mensalmente. Só essa resposta, que é corriqueira, já poderia nos deixar indignados, mas a coisa pode ser ainda pior. Veja a próxima.

Entramos em contato com outra agência. A resposta que tivemos merece destaque pois nos informou que seu cliente não colocou no briefing (que é uma peça fundamental para a elaboração de uma proposta de pesquisa de mercado) a população negra.

Algumas vezes até nos colocam como classe média, mas as agências de publicidade entendem que o negro ainda não faz parte dessa classe. Isso mostra a visão que ainda existe e é muito forte no meio publicitário, que o negro não consome, e pior, reforçada pelos Governos que não cobram mudança de postura.

Como podem notar, a prática perversa que ainda existe de discriminação na mídia demonstra que o Estatuto da Igualdade Racial  corre o risco de ficar no papel, de ser apenas uma “lei prá não pegar” como as outras muitas existentes no ordenamento jurídico brasileiro. É preciso mudar esta realidade: vamos acabar com o discurso e adotar ações na prática.

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