Primeiro aluno de Medicina a entrar por cotas na Universidade federal da Bahia recebe diploma


foto da internet

Luana Ribeiro, postou esta notícia nas redes sociais e a Mamapress repinica com satisfação:“Em uma casa azul na Ladeira Manoel Faustino – mesmo nome de um dos líderes negros da Revolta dos Alfaiates, que em 2011 se tornou Herói da Pátria – Ícaro Luis Vidal.

Desafios
O sonho de Medicina surgiu cedo. Ao ver crescer a barriga de três tias que engravidaram na mesma época, a cabeça do menino de 6 anos se encheu de perguntas. “Queria saber como tinha entrado, como saía”, lembra. Com o tempo, esqueceu a obstetrícia: agora quer ser oncologista. “Conviver com esses pacientes, tão carentes de atenção, me despertou para a área. O câncer é uma doença que isola”, reflete.

É um pequeno passo, na participação completa dos negros brasileiros construção de uma nova sociedade brasileira. É resultado de políticas pontuais, com muitos adversários que apontam para um futuro longínquo, as grandes soluções para racismo no Brasil. Sempre com a mesma cantilena, que foi estribilho da ditadura militar: É preciso esperar o bolo crescer para dividi-lo.
Lei do Ventre Livre, lei do Sexagenário, “Racismo é crime” e outras medidas que mexem com uma nação como um todo, foram e são medidas de impacto geral. Não conseguem entretanto atender ao indivíduo que começa do zero e a pé, em uma corrida em que seus amigos de rua, já estão sentados em um carrro da fórmula 1.
Cotas não é a grande solução para a sociedade, a nação brasileira precisa encarar o racismo de frente e enfrentá-lo em todos os setores. Cotas é acima de tudo um gota d´água junto a outros incentivos às minorias majoritárias do Brasil, que ajudarão bastante a diminuir o fosso entre ricos e pobres no país, entre negros e índios em suas relações com os que se consideram brancos.
Faculdade de medicina é “símbolo” de “competência”, em uma sociedade do “quem sabe com quem está falando”  é o que determina o  mérito, seja  para ocupar um cargo de chefe de limpeza ou  gerente de um banco ou um hospital.
Cotas não são muletas, são um crédito na força de vontade de milhares de jovens negros e indíos do Brasil.
O apoio a estes jovens negros e índios brasileiros, que desejam contribuir, agora e já, para a construção de nossa nação para todos, é tarefa urgente de todos nós brasileiros e brasileiras.
O jovem Ícaro, o primeiro formado pelas “cotas” em medicina numa federal da Bahia, é mais que um resultado simbólico  de um desejo de séculos dos negros brasileiros, é uma pequena resposta, que demonstra que nossos jovens estão este mundo pela vida.

Medidas de afirmações positivas é um desejo de nós jovens negros, até quando já estamos velhos. É uma saudade futura para ser saciada agora.

Uma nação não pode ser grande nem feliz, enquanto a “um” de seus indivíduos for recusado o acesso aos meios necessários para realizarem o que são capazes.
A Bahia que nos útimos anos tem se notabilizado pelo número recorde de jovens negros vítimas de homícidios, no que já se poderia denominar como epidemia nacional de assassinatos de violência contra jovens negros, dá um pequeno voo pela vida, que esperamos não termine agora .
Ao contrário do ìcaro da mitologia grega, nosso Ícaro, com as tecnologias modernas continuará voando e será um super jumbo, pois temos muitos passageiros na fila, que querem vooar no bem-estar da nação Brasileira. Sexta economia mundial para alguns meritosos.  Marcos Romão

Abaixo a notícia completa:

Ícaro Luis tornou-se ícone do sistema; aprovado em concurso para o Programa de Saúde da Família, já tem emprego garantido

Em uma casa azul na Ladeira Manoel Faustino – mesmo nome de um dos líderes negros da Revolta dos Alfaiates, que em 2011  se tornou Herói da Pátria – Ícaro Luis Vidal, 24 anos, se apronta para o grande dia de sua vida. À noite, o primeiro estudante a ingressar pelo sistema de cotas no curso de Medicina da Universidade Federal da Bahia (Ufba) se forma.

As trancinhas que a cabeleireira faz em seu black power têm dois motivos: um é poder vestir o capelo de formatura (chapéu usado na solenidade). O outro é a pressão de sua mãe, Raimunda Vidal dos Santos, 47, que acha que assim o filho fica mais bonito para a festa, realizada ontem à noite, no Centro de Convenções.

Ícaro começou o curso em 2005, quando a Ufba implantou o sistema de cotas. Hoje, a instituição reserva 2% das vagas para índio-descendentes e 43% para alunos que tenham todo o ensino médio em escolas públicas. Desses, 85% são para estudantes que se declararam pardos ou pretos.

Ao fim do 3º ano no Colégio da Polícia Militar, conciliado com o cursinho, Ícaro já tinha passado no meio do ano em Direito na Universidade Estadual de Feira de Santana (Uefs). “Assim, eu fiz a prova mais tranquilo”. Amiga de infância, Inês Costal, 24, lembra dele como aluno aplicado. “Sempre foi brilhante, era o CDF”, relata.

Orgulho
Ícaro atribui o desempenho à sua criação. “Ele nunca me deu trabalho, mas sempre cobrei. A média do colégio era 8, mas eu exigia  9”, lembra a mãe. O rigor deu resultado. “Tenho orgulho dos meus filhos”, afirma ela, incluindo a filha Ísis Carine dos Santos, 25, que mês que vem se forma em Engenharia Química, também na Ufba.

Ontem, na formatura, dona Raimunda via o sonho realizado e vibrava num longo rosa. “Dever cumprido. Agora vou cuidar de mim”, diz ela, que este ano vai tentar cursar Pedagogia. “Espero conseguir uma vaga pelo Enem”, torce.
Ícaro divide com ela e com Ísis uma casa na Liberdade. O pai, que mora em Feira de Santana, também veio para a formatura. Uma outra irmã mora em Conceição de Feira.

Desafios
O sonho de Medicina surgiu cedo. Ao ver crescer a barriga de três tias que engravidaram na mesma época, a cabeça do menino de 6 anos se encheu de perguntas. “Queria saber como tinha entrado, como saía”, lembra. Com o tempo, esqueceu a obstetrícia: agora quer ser oncologista. “Conviver com esses pacientes, tão carentes de atenção, me despertou para a área. O câncer é uma doença que isola”, reflete.

Se os pacientes sofrem, Ícaro também passou perrengues. Nos dois primeiros anos, além de cursar a faculdade, trabalhava e fazia curso técnico em Química, no Instituto Federal da Bahia (Ifba, então Cefet), que lhe possibilitou ser perito técnico da Polícia Civil.

O rapaz só chegava em casa às 23h e ainda tinha que estudar até as 2h.  Várias vezes acabou dormindo em cima dos livros. “Mas nunca repeti nenhuma matéria”, orgulha-se.

O grande impacto na Ufba foi o grau de dificuldade. “A cota facilita a entrada, mas sair depende de você”, analisa.

Hoje, Dr. Ícaro está encaminhado:  passou em um concurso para médico do Programa Saúde da Família (PSF). E quer mais. “Quando vi a equipe do (Hospital) Sírio-Libanês que cuidou de Lula falando com os repórteres, pensei: um dia eu é que vou estar aí”.

Projeto propõe cotas obrigatórias
Mesmo com tantas universidades no país adotando cotas, não há uma lei federal que determine regras ou obrigue as instituições a aderirem ao sistema. As universidades têm autonomia para decidir quantas vagas destinarão às cotas e se o critério será socioeconômico ou étnico. Um Projeto de Lei (71/99) sobre o tema já foi aprovado na Câmara e desde 2008 aguarda para ser votado no Senado. Segundo a proposta, apresentada em 1999 pela então deputada federal Nice Lobão (PFL-MA), as universidades públicas federais reservariam vagas para estudantes que tenham cursado integralmente o ensino médio em escolas públicas, tenham renda familiar per capita de até 1,5 salário mínimo e sejam negros, pardos ou indígenas.

No Supremo Tribunal Federal (STF), o ministro Ricardo Lewandowski relata duas ações contra cotas para negros. A primeira foi ajuizada pelo DEM contra a Universidade Federal de Brasília (UnB), onde  uma comissão decide por foto ou entrevista quem pode ser classificado como negro, pardo ou branco.  A outra foi proposta em maio  por um estudante que não foi aprovado na Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). Há ainda no STF mais três ações sobre o sistema de cotas adotado pelo ProUni. Os processos estão na pauta de votação desse ano.

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