Primeira mulher negra no ministério da Dilma Rousseff


Luiza Brarros, ministra da Secretaria Especial de Promoção da Igualdade Racial

Notíca enviada pelo Olodum via Agência de Noticias Pindorama Berlin.

A atual secretária estadual da Promoção da Igualdade Racial, a socióloga gaúcha Luiza Bairros, acaba de ser confirmada ministra da Secretaria Especial de Promoção da Igualdade Racial do governo Dilma Rousseff. A indicação é uma vitória do Movimento Negro baiano, principalmente das mulheres negras, do governador Jaques Wagner, que se comprometeu com o movimento negro antes das eleições em fazer gestões junto à presidente eleita para que a Seppir viesse para a Bahia depois de oito anos de governo Lula, quando ficou entre Rio e São Paulo, e também do grupo do deputado federal baiano Luis Alberto, um dos nomes que haviam sido cogitados para assumir o cargo. A nomeação do primeiro nome da Bahia para o ministério Dilma atende à exigência de gênero feita pela presidente. Bairros será a primeira mulher negra do governo Dilma. Neste momento, Bairros se encontra no evento do Topa, que acontece na Assembleia Legislativa, ao lado do presidente Lula, recebendo muitos cumprimentos.

João Jorge, pelas minhas contas, é uma vitória do movimento negro como um todo. A escolha de Luiza Barros apresenta um salto de qualidade, nas escolha da pessoa para esta cargo.
Depois de 40 anos é nomeado um ministro, “ministra!”, que vem da das origens do movimento negro contemporâneo, que participou e participa da discussão e formulação de políticas públicas que hoje são aplicadas no país e cujas idéias partiram do movimento negro, em tempos que só nós falávamos de cotas e que o Brasil só se transformaria com políticas que atendessem o víes negro da sociedade.
Em tempos, que afirmávamos sózinhos, que mudanças sociais universais, só aconteceriam e vão acontecer, com tratamento diferenciado e de reparação ao segmento negro, maioria de nossa sociedade.
A idéia comum a todos partidos e segmentos progressistas de nossa sociedade, sempre foi e é, que ao resolver-se as diferenças sociais o problema do racismo estará resolvido. Este modo de interpretar as causas do fosso entre brancos e negros e índios no Brasil, sempre foi uma maneira de se empurrar com a barriga, a inserção do viés de consiência negra e indígena em nosso sistema de pensamento brasileiro. Foi e é uma maneira de negar-se uma interpretação descolonizada dos rumos que devem tomar o país.
O viés europeu e colonizado do modo de pensar o Brasil, sempre oprimiu e teve medo de cabeças negras, que revidassem esta forma neocolonial de dominação de uma minoria eurodescendente privilegiada, que definiu até agora, qual é a cor do país e que cor detem o poder. Poder não só de dominar econômicamente, mas principalmente o poder de determinar o que o outro é em sua cultura e modo de ser.
Esta minoria eurodescendente só aceita em seus meios, negros que neguem suas origens, ou que pelo menos sejam filtros e controladores, destas massas de deserdados contínua e permanentemente.
Só quem tem uma pespectiva antiracista “de berço”, pode perceber e ter instrumentos para resistir e combater este canto de sereia, que tem feito com que tantos negros e negras, embevecidos, por terem sido escolhidos por brancos, caiam nas armadilhas da vaidade, e ajam mais como bedéis dos outros, das “massas” negras dos que seus porta-vozes.
Finalmente vamos ter um voz que escuta o que está nas entranhas do movimento negro no Brasil, o desejo da construção de uma sociedade com igualdade na prática. para todos sem distinção.
Luisa Barros tem todas as possibilidades de trazer para os partidos as reivindicações da sociedade antiracista, e superar as limitações dos que só com a experiência de vida partidária, limitam mais dos que contribuem para a superação o racismo, nas variadas formas que acontece no Brasil. Finalmente o movimento negro tem uma interlocutora com voz própria para nos escutar.
A experiência de Luiza Barros no campo de defesa dos direitos humanos é ímpar. Sem se esquecer das discriminações na mídia e a que sofre a nova classe média negra nas boutiques, lembra sempre das mulheres negras nas prisões, que não tem nenhuma voz e nenhum lobby de homens negros que as apoiem.
Luiza vai encontrar muitas pedras no caminho. Em primeiro lugar o ciúme dos homens negros e o espanto e descrédito das mulheres negras (cartas de congratulações não valem no que estou falando, vamos ser sinceros).
Em segundo lugar entram as máquinas partidárias, sempre com alguém melhor que teria sido preterido, a midía com suas cascas de bananas(faz parte do ofício) e os colegas ministros que vão encontrar uma parceira a altura, e isso incomoda.
Em terceiro lugar o racismo em si.
Ciúmes e discréditos entre parceiros e parceiras, supera-se com generosidade e crescimento da auto estima.
Futricas partidárias e relacionamento ministerial e armadilhas jornalísticas vencem-se respectivamente, com maior participação do movimento social e negro, com uma demonstração da presidente de que veio para colocar uma nova ordem na casa, e com mais jornalismo e imprensa com víes descolononizado.
Enfrentar o racismo à brasileira em si não é tarefa para uma só ministra, é para todo o ministério e para a presidente. Se todos abrirem a boca, a sociedade brasileira, vai tomar a decisão de sair do silênci e enfrentra esta dragão da maldade.
Um triângulo de pedras no caminho que tenho certeza que Luiza, com paciência e amor que demonstra em sua atenção a cada brasileiro ou brasileira que a procura para conversar ou ser socorrido neste nó górdio familiar, societário, cultural, econônomico, religioso e de gênero que o racismo quinquentenário amarra o Brasil. Nós que somente juntos podemos desatar. Não há melhor maneira em desatar um nó do sapato do que antes respirar fundo e acreditar.
Luiza Barros, com a ajuda de todos nós poderá começar a fazê-lo, pois sabe desde criancinha que o calo do racismo tá doendo.
Marcos Romão

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3 thoughts on “Primeira mulher negra no ministério da Dilma Rousseff

  1. agora e so esperar um fim em definitivo da miseria no pais nos o negros queremos igualde em grau numero e genero e o proximo presidente do brasil tem que ser negro pobre e nordestino pra coroar de exito o lulismo no brasil e ponto final.

  2. estou envorgonhado com os negros brazileiros, toda a hora choram querendo igualidade racial, quando aparece um candidato negro nem votam nele, agora parabenizam uma unica negra no governo da Dilma num pais onde a maioria e negra, tenham do.

    Lutem para ter um presidente e um governo com maioria negra, seus negao falsos.

    Eu sou um negro africano e puro e envergonhado com os negros brasileiros porque nao tem autoestima.

    Um abraco de Mocambique

    • Ola Sergio,
      Eu como brasileira e negra gostaria de esclarecer pra vc q o problema racial no Brasil vai alem da consciencia negra.
      No geral, temos uma educacao, mídia e principalmente à televisao q ha muito tempo vem projetando n’a cabeça das pessoas (principalmente nos proprios negros) uma inferioridade da raça.
      Com isso, infelizmente posso te garantir q ter uma ministra negra em um mandato de um présidente (Presidenta) ja eh sem duvida uma grande avanço.
      Entendo q olhando de longe parece absurdo e posso me aliar à sua revolta, mas, so quem vive “negro” dentro desse país pode avaliar as réais condicoes de se criar uma consciência negra.
      Daí para uma luta por um présidente negro ainda temos muita estrada à trilhar. Os nosso vizinhos de cima q o digam…

      Iris Nasser

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